Meio Ambiente

Crise climática pode reduzir em até 50% áreas de cultivo de café no Brasil, alertam pesquisadores da Unesp

Estudo da Unesp revela que a crise climática pode reduzir em até 50% as áreas de cultivo de café no Brasil até 2080, afetando especialmente Minas Gerais. Técnicas de manejo são sugeridas.

Atualizado em
April 12, 2025
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Dono da Fazenda 7 Senhoras em Socorro (SP), Luiz Eduardo percebe diferença no tamanho dos grãos e atribui a diferença à mudança climática Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A crise climática está impactando severamente a produção de café no Brasil, com um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) indicando que as áreas cultiváveis podem diminuir em até cinquenta por cento até 2080. O aumento das temperaturas e eventos climáticos extremos, como secas e geadas, são fatores que agravam essa situação, especialmente em Minas Gerais, o estado mais afetado.

Os pesquisadores da Unesp simularam cenários futuros baseados em cinco projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O café arábica, a variedade mais cultivada no Brasil, é particularmente vulnerável às mudanças climáticas. A pesquisa aponta que a área apta para o cultivo dessa espécie pode cair de 8,7% para 5,4% entre 2061 e 2080, podendo chegar a apenas 2,2% no cenário mais pessimista.

O aumento da temperatura global compromete elementos essenciais para o cultivo, como a temperatura do ar, que deve estar entre 18 e 23 graus Celsius, e a disponibilidade de água. Sem um equilíbrio adequado entre chuvas e temperatura, a qualidade dos grãos é afetada, resultando em problemas como o chochamento, que se caracteriza por grãos mal formados ou ausentes.

O produtor Luiz Eduardo de Bovi, que cultiva cafés especiais em São Paulo, já percebe os efeitos da crise climática em sua produção. Ele relata uma queda na renda e no tamanho dos grãos, com a proporção de café de peneira alta reduzida de oitenta para sessenta por cento. Para mitigar os impactos, ele tem adotado práticas para manter a umidade do solo.

Especialistas sugerem que a migração de áreas de cultivo para regiões mais adequadas pode ser uma solução, assim como a adoção de técnicas inovadoras. Uma delas é o "estresse hídrico", que envolve interromper a irrigação por até setenta dias durante o período seco, permitindo uma produção mais eficiente e com menor consumo de água. Outras estratégias incluem a seleção de variedades mais resistentes e o cultivo intercalado com culturas de ciclo curto.

Diante desse cenário desafiador, a união da sociedade civil é fundamental para apoiar iniciativas que visem a adaptação e a resiliência na produção de café. Projetos que promovam a pesquisa e a implementação de técnicas sustentáveis podem fazer a diferença na preservação dessa cultura essencial para a economia brasileira.

Estadão
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