Meio Ambiente

Ministra do Meio Ambiente abandona sessão no Senado após debates acalorados sobre a BR-319 e seus impactos ambientais

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abandonou sessão no Senado em meio a debates acalorados sobre a pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, gerando preocupações ambientais e políticas.

Atualizado em
May 28, 2025
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Caminhão transporta gado na BR-319; facilidade para pavimentação aprovada pela Câmara é defendida por governador e temida por ambientalistas — Foto: Brenno Carvalho / Agência O GLOBO

A recente discussão sobre a pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, gerou um intenso debate no Senado Federal. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abandonou uma sessão da Comissão de Infraestrutura após ser acusada de obstruir o desenvolvimento do país por questões ambientais. O governo, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou planos para asfaltar um trecho de 20 quilômetros da rodovia, o que levanta preocupações sobre o impacto ambiental na Amazônia.

A BR-319, com aproximadamente oitocentos e cinquenta quilômetros de extensão, é considerada uma via crucial para a conexão da capital amazonense com o restante do Brasil. No entanto, ambientalistas alertam que a pavimentação pode intensificar o desmatamento em uma das áreas mais preservadas da floresta. O governador do Amazonas, Wilson Lima, defende a obra como uma solução para o isolamento do estado, enquanto críticos argumentam que a maioria dos produtos locais não é perecível, tornando a redução do custo do frete questionável.

A rodovia foi inaugurada em mil novecentos e setenta e seis, mas tornou-se intransitável em mil novecentos e oitenta e oito, levando ao seu abandono. Desde então, a discussão sobre o reasfaltamento ganhou força, especialmente após a emissão de um Termo de Referência pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em dois mil e sete. Apesar de tentativas anteriores de licenciamento, os estudos não conseguiram comprovar a viabilidade ambiental da obra.

Durante o governo de Dilma Rousseff, a possibilidade de revitalização da BR-319 foi novamente debatida, mas sem sucesso. A situação se intensificou durante a gestão de Jair Bolsonaro, que utilizou a rodovia para o transporte de cilindros de oxigênio durante a crise de abastecimento em Manaus, o que foi usado como argumento para acelerar o processo de licenciamento. Em julho de dois mil e vinte e dois, o Ibama concedeu uma licença prévia para o projeto, mas a execução das obras ainda depende de estudos mais aprofundados.

Na última sessão do Senado, Marina Silva reiterou a necessidade de estudos de impacto ambiental, afirmando que a discussão sobre a BR-319 frequentemente resulta em aumento da exploração ilegal na região. O senador Omar Aziz, por sua vez, criticou a postura da ministra, alegando que ela impede o progresso do país. A ministra defendeu que a construção de uma estrada no meio da floresta deve estar associada a um projeto produtivo sustentável.

O Senado aprovou recentemente um projeto de lei que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental, o que pode facilitar a pavimentação da BR-319. Essa mudança é vista com preocupação por ambientalistas, que temem que a nova legislação permita a continuidade de projetos que ameaçam a Amazônia. Em meio a essa situação, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que busquem preservar a floresta e garantir um desenvolvimento sustentável na região.

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