Impacto Social

Cultura organizacional autêntica: Nicole Franco defende inclusão e diversidade no setor de tecnologia

Nicole Franco, cofundadora da Care Intelligence, destaca as barreiras enfrentadas por mulheres e pessoas LGBTQIA+ no ambiente corporativo, enfatizando a necessidade de autenticidade e inclusão. Apesar dos avanços, a cultura organizacional ainda exige conformidade a padrões heteronormativos, limitando a expressão pessoal e a participação efetiva. A diversidade deve ser vista como essencial para inovação e desempenho, não apenas como uma questão de imagem.

Atualizado em
July 10, 2025
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Nicole Franco, cofundadora da Care Intelligence, cofundadora da Livia Med e tem mais de 15 anos de experiência profissional com startups - Divulgação

Nicole Franco, cofundadora da Care Intelligence e da Livia Med, compartilha sua experiência como mulher e pessoa LGBTQIA+ em ambientes corporativos, ressaltando as barreiras estruturais que persistem. Apesar do avanço tecnológico e das iniciativas de diversidade, a realidade para essas identidades ainda é desafiadora. Franco menciona que, para ser respeitada em um ambiente predominantemente masculino, precisou adotar comportamentos que ocultassem suas fragilidades, moldando sua presença para se alinhar a padrões de liderança masculina.

Franco também destaca a dificuldade de se sentir à vontade para compartilhar sua identidade LGBTQIA+. Muitas vezes, optou por silenciar aspectos de sua vida pessoal, como seu casamento com uma mulher, por medo de julgamento. Essa autocensura evidencia a pressão para se conformar a normas heteronormativas, que ainda dominam muitos espaços corporativos. A falta de um ambiente seguro para expressar sua identidade resulta em desinteresse e desvalorização durante interações profissionais.

A cofundadora observa que, apesar dos avanços em diversidade e inclusão, muitas empresas ainda operam sob uma lógica que exige conformidade a padrões tradicionais. Franco reconhece que iniciativas de inclusão são frequentemente superficiais e podem ser cortadas em tempos de crise econômica. Para ela, a verdadeira inclusão deve ser uma prioridade contínua, não apenas uma resposta a tendências temporárias.

Franco faz parte de um grupo seleto de fundadoras LGBTQIA+ e se comprometeu a criar uma cultura organizacional que valoriza a autenticidade. Ela enfatiza que, embora tenha conseguido construir um espaço seguro, essa realidade não é comum para a maioria. É essencial que mais ações sistêmicas sejam implementadas para garantir ambientes de trabalho equitativos e seguros para todos.

Para os jovens LGBTQIA+ que aspiram a empreender ou atuar no setor de tecnologia, Franco aconselha que a autenticidade é uma força poderosa. Esconder a verdadeira identidade pode parecer vantajoso a curto prazo, mas não sustenta uma trajetória profissional plena. A diversidade é fundamental para a inovação e o desempenho, e deve ser vista como uma questão de futuro.

Nicole Franco sugere que a música "Si Jamais J’oublie", da cantora francesa Zaz, representa sua mensagem de autenticidade. Em um contexto onde a inclusão é vital, a união da sociedade pode fazer a diferença. Projetos que promovem a diversidade e a inclusão merecem apoio, pois podem transformar realidades e garantir que todas as vozes sejam ouvidas e valorizadas.

Folha de São Paulo
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