Impacto Social

Desigualdade na distribuição de médicos no Brasil exige políticas públicas eficazes para atender áreas remotas

O Brasil enfrenta uma desigualdade na distribuição de médicos, com o Sudeste concentrando 334,1 mil profissionais, enquanto o Norte tem apenas 31,7 mil. O Ministério da Saúde planeja aumentar bolsas de residência médica para atrair médicos a áreas remotas.

Atualizado em
July 31, 2025
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A distribuição de médicos no Brasil apresenta uma desigualdade marcante entre as regiões. O Sudeste conta com 334,1 mil médicos, resultando em uma razão de 3,77 profissionais por mil habitantes. Em contrapartida, o Norte possui apenas 31,7 mil médicos, com uma razão de 1,70 por mil habitantes. Esses dados, extraídos da 7ª edição do estudo Demografia Médica Brasileira (DMB), levantam questões sobre quais políticas públicas podem ser implementadas para atrair médicos para áreas remotas e carentes.

Embora o Brasil tenha uma previsão de 635.706 médicos até o final de 2025, a distribuição ainda é desigual. A DMB aponta que, em 2035, o país pode alcançar 1,15 milhão de médicos, mas a concentração continua nas regiões que já possuem maior oferta. O interior dos estados, especialmente no Norte, enfrenta uma escassez crítica, com proporções alarmantes, como no Amazonas (0,20) e Roraima (0,13) médicos por mil habitantes.

O Programa Mais Médicos, uma das iniciativas mais bem-sucedidas para levar médicos a áreas remotas, não resolveu completamente o problema. O professor Mário Scheffer, coordenador do estudo, destaca que a solução requer políticas permanentes de deslocamento e fixação de profissionais. O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, enfatiza a importância da residência médica na fixação de médicos, pois muitos tendem a permanecer na localidade onde se especializam.

Entretanto, o número de vagas de residência não acompanha o aumento de formandos em medicina. Nos últimos dez anos, o Brasil viu um crescimento de faculdades de medicina, mas a oferta de vagas de residência não se expandiu na mesma proporção. Em 2024, apenas 11 estados tinham menos de 1% do total de residentes, com o Sudeste concentrando a maior parte das vagas.

O Ministério da Saúde anunciou a criação de mais três mil bolsas de residência médica a partir de março de 2026, visando aumentar o número de especialistas em regiões carentes. Além disso, o governo está investindo na contratação de profissionais para a atenção primária, com a expectativa de que esses médicos contribuam para a melhoria do atendimento em locais desassistidos.

Atuar em áreas remotas pode ser atraente para médicos, com remunerações que podem ultrapassar R$ 20 mil mensais, considerando a bolsa e complementos oferecidos pelas prefeituras. A experiência de médicos em localidades como Monte Negro, em Rondônia, demonstra que, com estrutura adequada e incentivos, é possível construir uma carreira gratificante fora dos grandes centros urbanos. A união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que busquem melhorar a saúde em regiões carentes.

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