Impacto Social

Diversidade e inclusão como estratégia: empresas se destacam em meio a retrocessos políticos nos EUA e Brasil

Com o retorno de Donald Trump em 2025, políticas de diversidade enfrentam resistência, especialmente contra pessoas trans. No Brasil, empresas ainda veem a inclusão como uma estratégia valiosa e lucrativa.

Atualizado em
June 28, 2025
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Raphael Renter

A promoção da diversidade e inclusão de grupos minorizados é uma questão central de Direitos Humanos. Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2025, as políticas de diversidade enfrentam um aumento nos ataques, especialmente contra pessoas trans. O governo emitiu ordens executivas que vetam iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) em órgãos públicos e empresas contratadas pelo Estado. No Brasil, há preocupações sobre possíveis retrocessos, mas o setor privado continua a enxergar a diversidade como uma estratégia valiosa.

Estudos recentes mostram que a diversidade não é apenas uma questão ética, mas também uma oportunidade de negócios. Empresas que se comprometem com a inclusão obtêm resultados concretos, como maior inovação, reputação sólida e vantagem competitiva. A pesquisa de 2022 publicada na Nature revelou que 12,04% da população brasileira se identifica como parte da comunidade LGBTI+. Além disso, um estudo de 2023 da Gallup destacou um padrão geracional: 4,5% da Geração X, 9,8% dos Millennials e 22,3% da Geração Z se identificam como LGBTI+.

Esses dados indicam uma sociedade mais aberta e uma base de consumidores crescente e consciente. Com quase um quarto da Geração Z se identificando como LGBTI+, as empresas devem considerar essa demografia em suas estratégias de mercado. Ignorar essas transformações pode resultar em perda de relevância e participação de mercado. A conexão entre marcas e consumidores é cada vez mais exigente, com a nova geração cobrando coerência entre discurso e prática.

Além disso, o ambiente interno das empresas também se beneficia da diversidade. Funcionários LGBTI+ que se sentem acolhidos tendem a ser mais produtivos e criativos. Estudos mostram que esconder a identidade pode afetar a saúde mental e o engajamento. Um estudo da Human Rights Campaign revelou que 20% dos funcionários LGBTI+ considerariam deixar suas empresas se houvesse redução no apoio à comunidade, e um terço diminuiria sua produtividade.

Empresas que promovem a diversidade registraram um aumento significativo em receita e produtividade. Um estudo do Boston Consulting Group indicou que empresas diversas têm uma receita proveniente de inovações 19% maior. No Brasil, um estudo da FGV EAESP sugere uma correlação positiva entre desempenho financeiro e políticas inclusivas para pessoas LGBTI+. Portanto, investir em diversidade é uma questão de inteligência corporativa.

Apesar dos desafios, investidores institucionais globais continuam a apoiar a diversidade. Em 2025, propostas contrárias à diversidade foram amplamente rejeitadas em assembleias de empresas. O recado é claro: retroceder na agenda de diversidade representa um risco à reputação e à sustentabilidade dos negócios. Em tempos de incerteza, a união em torno de causas sociais pode fazer a diferença. Projetos que promovem a inclusão e a diversidade merecem apoio e incentivo da sociedade civil.

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