Meio Ambiente

Estudo propõe unificação de avaliações de risco para doenças zoonóticas e transmitidas por vetores

Estudo revela a necessidade de unificar avaliações de risco para doenças zoonóticas e transmitidas por vetores, destacando a falta de padronização e propondo melhorias em pesquisas e políticas públicas. Pesquisadores do BIOTA Síntese, apoiados pela FAPESP, analisaram 312 estudos e identificaram que apenas 7,4% consideram os três componentes de risco: perigo, exposição e vulnerabilidade.

Atualizado em
July 29, 2025
Clock Icon
3
min
Pesquisadores fizeram um levantamento que chegou a 312 estudos publicados sobre o risco de transmissão para 39 patógenos e doenças (imagem: Biodiversity4all)

Um estudo recente publicado na revista One Earth destaca a necessidade de unificar as avaliações de risco para doenças zoonóticas e transmitidas por vetores, como os mosquitos. A pesquisa, liderada por especialistas do Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza (BIOTA Síntese), sugere que essa integração é crucial para prevenir o aumento dessas doenças, especialmente em decorrência das mudanças climáticas.

Os pesquisadores analisaram trezentos e doze estudos sobre a transmissão de trinta e nove patógenos e doenças, revelando que apenas sete vírgula quatro por cento dos trabalhos consideram os três componentes essenciais de risco: perigo, exposição e vulnerabilidade. Raquel Carvalho, primeira autora do estudo, enfatiza que a falta de padronização nos métodos compromete a criação de modelos confiáveis que poderiam guiar políticas públicas eficazes.

O estudo propõe recomendações para estruturar a pesquisa nesse campo em expansão, ressaltando a importância de definir indicadores específicos para exposição e vulnerabilidade. Além disso, sugere o redirecionamento de financiamentos internacionais e o fortalecimento da cooperação global para apoiar iniciativas focadas em doenças zoonóticas e transmitidas por vetores, especialmente em regiões tropicais.

As contribuições ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) incluem a diferenciação dos componentes de risco. O documento define perigo como a presença de hospedeiros zoonóticos e vetores, enquanto exposição refere-se à probabilidade de contato humano com esses perigos. A vulnerabilidade é descrita como a chance de infecção após a exposição.

Os autores alertam que a omissão de componentes relevantes pode levar a estimativas imprecisas, resultando em um planejamento inadequado e na alocação ineficiente de recursos. Por exemplo, áreas com alta densidade populacional e casos frequentes de dengue necessitam de campanhas de conscientização e medidas de controle mais rigorosas.

Além da avaliação de risco unificada, o estudo sugere melhorias na avaliação de impacto de empreendimentos sobre zoonoses e a otimização da rede laboratorial para diagnóstico em fauna silvestre. A pesquisa conclui que a segurança hídrica está diretamente relacionada a doenças transmitidas por vetores, como a dengue. Mobilizar a sociedade civil em torno dessas questões pode ser fundamental para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Agência FAPESP
Quero ajudar

Leia mais

Setor de saúde adota soluções sustentáveis para enfrentar a crise climática e melhorar o acesso à saúde
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Setor de saúde adota soluções sustentáveis para enfrentar a crise climática e melhorar o acesso à saúde
News Card

A Siemens Healthineers está promovendo inovações sustentáveis em diagnóstico por imagem, reduzindo emissões e melhorando o acesso à saúde em áreas vulneráveis, em resposta à crise climática.

Estudo revela desconexão entre percepção pública e realidade científica sobre impacto ambiental de pets
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Estudo revela desconexão entre percepção pública e realidade científica sobre impacto ambiental de pets
News Card

Um estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos revela que a maioria das pessoas subestima o impacto ambiental de ter cães de estimação, que contribuem significativamente para as emissões de carbono. A pesquisa destaca que a dieta carnívora dos cães gera mais emissões do que ações sustentáveis frequentemente valorizadas, como a reciclagem.

Ibama reabilita e solta cachorro-do-mato atropelado em Serra Redonda, na Paraíba
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Ibama reabilita e solta cachorro-do-mato atropelado em Serra Redonda, na Paraíba
News Card

Ibama soltou cachorro-do-mato resgatado após atropelamento, destacando a importância do licenciamento ambiental e do Programa de Proteção à Fauna. O animal, tratado no Cetas, retorna à natureza após recuperação.

Tereza Seiblitz fala sobre o retorno à fama e a busca pelo anonimato em sua nova fase artística
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Tereza Seiblitz fala sobre o retorno à fama e a busca pelo anonimato em sua nova fase artística
News Card

Tereza Seiblitz, atriz brasileira, retorna à TV após 22 anos, destacando-se em "Volta por cima" e "Justiça 2", além de estrear o monólogo "Carangueja", que aborda identidade e ecossistemas.

Brasil se prepara para a COP-30 em Belém, destacando oportunidades em biocombustíveis e desafios climáticos
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Brasil se prepara para a COP-30 em Belém, destacando oportunidades em biocombustíveis e desafios climáticos
News Card

Brasil se destaca na COP-30 com soluções em biocombustíveis, mas precisa comunicar sua liderança global. Especialistas discutem adaptações climáticas e papel do setor privado no evento em Belém.

Inverno de 2025 traz temperaturas mais baixas e impactos significativos na saúde e na economia
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Inverno de 2025 traz temperaturas mais baixas e impactos significativos na saúde e na economia
News Card

O inverno de 2025 traz temperaturas de 3 °C a 5 °C mais baixas em São Paulo, aumentando a demanda por energia e medicamentos, e impactando saúde, agronegócio e turismo. O meteorologista Guilherme Martins, da Nottus, destaca que a mudança climática gera consequências econômicas, com um aumento de 107% nos casos de gripe em 2024. O setor de saúde enfrenta pressão, enquanto a demanda por energia elétrica e gás natural cresce. O agronegócio apresenta um cenário misto, e o varejo se beneficia com vendas de produtos de inverno. O turismo também é afetado, com migração de turistas para regiões mais quentes.