Impacto Social

Estudo revela lacunas em pesquisas sobre zoonoses e propõe novas diretrizes para políticas de saúde pública

Uma pesquisa da USP revela que mais de 90% dos estudos sobre zoonoses ignoram indicadores epidemiológicos essenciais, propondo um plano de adaptação para os desafios climáticos em São Paulo. A análise de 312 artigos destaca a necessidade de integrar fatores socioeconômicos e ambientais para melhorar políticas públicas de saúde.

Atualizado em
June 26, 2025
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Mulher de cabelos cacheados presos vestindo colete da Vigilância em Saúde coleta larvas de mosquitos da dengue. - Fonte: USP Imagens

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que mais de noventa por cento dos estudos sobre zoonoses, como dengue, malária e leptospirose, desconsideram indicadores epidemiológicos essenciais. O estudo, que revisou trezentos e doze artigos publicados entre mil novecentos e noventa e sete e dois mil e vinte e três, propõe um novo plano de adaptação para enfrentar os desafios climáticos em São Paulo.

Raquel Carvalho, professora do Instituto de Biociências da USP e primeira autora do artigo, destacou que mais da metade dos estudos não avalia o cenário completo das zoonoses. Ela identificou três indicadores cruciais: a exposição aos patógenos, os perigos imediatos, como focos do mosquito Aedes aegypti, e a vulnerabilidade socioeconômica e ambiental da população. Apenas sete vírgula quatro por cento dos métodos analisados integraram esses três fatores.

A pesquisa também apontou um viés geográfico, com a maioria dos estudos concentrados no Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos, enquanto as áreas tropicais, que apresentam maior diversidade de patógenos, são sub-representadas. Essa falta de conhecimento específico pode comprometer a eficácia das políticas públicas no combate a surtos epidemiológicos.

Os resultados do estudo foram aplicados no desenvolvimento do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc) de São Paulo, que visa identificar os riscos de infecções transmitidas por animais. O projeto, coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), foi lançado em junho e busca avaliar os riscos sanitários associados às mudanças ambientais.

Raquel enfatizou que as transformações ambientais, como as mudanças climáticas, estão ligadas ao aumento das infecções zoonóticas. Ela alertou que a análise deve incluir não apenas fatores ecológicos, mas também as condições de vida da população. Um exemplo é a comparação entre áreas com alta densidade de mosquitos e boa infraestrutura sanitária, que podem ser mais seguras do que comunidades com menos focos, mas com condições habitacionais precárias.

Com setenta e cinco por cento das doenças infecciosas emergentes sendo zoonóticas, a pesquisa destaca a necessidade de uma abordagem integrada que considere fatores biológicos e socioeconômicos. Essa união pode melhorar a eficácia das políticas públicas e ajudar a prevenir surtos. A mobilização da sociedade civil é essencial para apoiar iniciativas que visem a saúde pública e a mitigação dos riscos associados às zoonoses.

Jornal da USP - Saúde
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