Meio Ambiente

Exposições em São Paulo e no Rio destacam a urgência da proteção ambiental e os desafios do progresso no Brasil

Duas exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro abordam a conexão entre arte e meio ambiente, enquanto a Câmara dos Deputados aprova projeto que compromete a proteção ambiental, gerando críticas.

Atualizado em
July 18, 2025
Clock Icon
4
min
Penário da Câmara vota projeto que muda licenciamento ambiental — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Brasil se prepara para a COP30, conferência do clima da ONU, em meio a críticas sobre a proteção ambiental e os direitos dos povos nativos, especialmente em relação ao desmatamento. Recentemente, duas exposições artísticas foram inauguradas, destacando a relação entre arte e meio ambiente. A primeira, “A ecologia de Monet”, está em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (Masp) até o final de agosto. A segunda, “Claudia Andujar e seu universo — Sustentabilidade, ciência e espiritualidade”, foi aberta no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Claudia Andujar, fotógrafa nascida na Suíça em mil novecentos e trinta e um, dedicou sua carreira à documentação de sociedades indígenas, especialmente os ianomâmis, que habitam o norte da Amazônia. Suas obras, que incluem uma galeria com 400 fotos no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), abordam a luta contra o garimpo e a preservação do território indígena. Por outro lado, Claude Monet, impressionista francês, é conhecido por suas pinturas de paisagens que refletem a relação do homem com a natureza ao longo de cinquenta anos de carreira.

A exposição no Masp apresenta trinta e duas obras que mostram a transição de paisagens bucólicas do século dezenove para cenários afetados pela industrialização. As obras de Monet servem como um documento histórico que evidencia a transformação ambiental provocada pelo progresso. Ambas as exposições ressaltam a importância da proteção ambiental e dos direitos dos povos nativos, temas que parecem ser ignorados por parlamentares brasileiros.

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que fragiliza a proteção ambiental, gerando preocupações sobre os compromissos climáticos do Brasil. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a nova legislação “quebra a coluna da proteção ambiental no país”, ao fragilizar regras e mecanismos de controle. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) classificou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental como uma ameaça à Constituição e aos direitos dos brasileiros.

O Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre cinquenta e nove por cento e sessenta e sete por cento até dois mil e trinta e cinco, além de zerar o desmatamento ilegal nos próximos cinco anos. Apesar dos avanços recentes, como a redução do desmatamento na Amazônia em quarenta e seis por cento, a aprovação do projeto de lei representa um retrocesso significativo. A organização ActionAid alertou que a nova legislação inviabiliza a transição justa, um dos temas centrais da COP30.

Além disso, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode ser afetado por cláusulas ambientais que visam barrar produtos brasileiros. A recente investigação dos Estados Unidos sobre práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil, incluindo o desmatamento ilegal, destaca a urgência da situação. Em tempos como este, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a proteção ambiental e os direitos dos povos nativos, ajudando a garantir um futuro mais sustentável.

Leia mais

Supremo Tribunal de Justiça avalia legalidade de licenças para desmatamento no Pantanal de Mato Grosso do Sul
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Supremo Tribunal de Justiça avalia legalidade de licenças para desmatamento no Pantanal de Mato Grosso do Sul
News Card

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) deve decidir sobre a legalidade de licenças para desmatamento no Pantanal, com um caso envolvendo 20,5 mil hectares pronto para julgamento. A nova lei estadual exige licenças mais rigorosas.

Estudo revela que juvenis de tambaqui podem usar carboidratos como fonte de energia, reduzindo custos na aquicultura
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Estudo revela que juvenis de tambaqui podem usar carboidratos como fonte de energia, reduzindo custos na aquicultura
News Card

Estudo da Universidade Estadual Paulista revela que juvenis de tambaqui utilizam carboidratos como fonte de energia, permitindo rações com menos proteína e custos reduzidos. A pesquisa, coordenada por Leonardo Takahashi, abre novas possibilidades para a aquicultura sustentável.

Microplásticos detectados em placentas de gestantes brasileiras levantam preocupações sobre saúde fetal
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Microplásticos detectados em placentas de gestantes brasileiras levantam preocupações sobre saúde fetal
News Card

Pesquisadores da Ufal e da Universidade do Havaí encontraram microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes brasileiras, levantando preocupações sobre a saúde fetal e a gestão de resíduos.

Rio de Janeiro se destaca com 29,99% de reciclagem de embalagens de vidro em 2024
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Rio de Janeiro se destaca com 29,99% de reciclagem de embalagens de vidro em 2024
News Card

Em 2024, o Rio de Janeiro alcançou 29,99% na reciclagem de embalagens de vidro, superando a média nacional de 25,1%. A meta é atingir 40% até 2030, segundo o relatório da Circula Vidro.

Vaga-lumes em risco de extinção: a luz que pode se apagar para sempre no Brasil
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Vaga-lumes em risco de extinção: a luz que pode se apagar para sempre no Brasil
News Card

Cientistas alertam que a população de vaga-lumes no Brasil pode diminuir pela metade em 30 anos devido ao aquecimento global e poluição luminosa. Santuários para proteção ainda não existem no país.

Ailton Krenak critica desprestígio dos Povos Originários e aponta riscos da COP30 em Belém
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Ailton Krenak critica desprestígio dos Povos Originários e aponta riscos da COP30 em Belém
News Card

Ailton Krenak critica a gestão ambiental do governo Lula, destacando a falta de orçamento no Ministério dos Povos Originários e a exploração de petróleo na Amazônia. Ele expressa ceticismo sobre a COP30.