Meio Ambiente

Febre oropouche atinge recorde de casos no Brasil, com mais de 10 mil registros em 2024

Casos de febre oropouche no Brasil dispararam para 10.940 em 2024, com duas mortes. Pesquisadores apontam mudanças climáticas e novas cepas do vírus como fatores críticos para a epidemia.

Atualizado em
August 19, 2025
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Maruim, inseto principal vetor do vírus Oropouche - Fonte: USP Imagens

A febre oropouche, uma doença emergente no Brasil, teve um aumento alarmante de casos, passando de 108 em 2021 para 10.940 em 2024, com duas mortes registradas. A disseminação do arbovírus, transmitido pelo inseto Culicoides paraensis, ocorre principalmente em áreas onde a população não possui imunidade. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Butantan identificaram fatores como mudanças climáticas e alterações genéticas do vírus como responsáveis por essa rápida expansão.

O estudo revelou que o aumento das temperaturas e a variação na precipitação, juntamente com mudanças no uso da terra, contribuíram para a propagação da doença. A Região Norte do Brasil continua a ser a mais afetada, mas casos também foram registrados em estados como Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. O C. paraensis, que se reproduz em matéria orgânica, se torna uma praga em ambientes propícios, como plantações de cacau e banana, dificultando o controle do vetor.

Pesquisas anteriores já indicavam que o vírus oropouche passou por alterações genéticas, aumentando a possibilidade de novos vetores, como o mosquito Culex quinquefasciatus, contribuírem para a transmissão. A situação é preocupante, pois mesmo populações que historicamente tiveram contato com o vírus estão se tornando suscetíveis a reinfecções devido à diminuição da resposta dos anticorpos contra variantes do vírus.

Os cientistas elaboraram um cartograma que mostra a expansão da doença, correlacionando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com variáveis climáticas e de uso da terra. As temperaturas médias e a precipitação mostraram a relação mais significativa com o aumento dos casos, evidenciando que a incubação do vírus é favorecida por condições climáticas quentes.

O desmatamento e a degradação ambiental também estão interligados à expansão da febre oropouche, pois áreas afetadas por essas práticas são mais vulneráveis e carecem de infraestrutura adequada. A chegada do vírus em regiões litorâneas, mais densamente povoadas, intensificou o número de casos, especialmente em municípios com altas taxas de pobreza e acesso limitado a serviços de saúde.

Frente a esse cenário, é essencial que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que visem melhorar as condições de vida das populações afetadas. Projetos que promovam a saúde pública e a preservação ambiental podem ser fundamentais para conter a disseminação do vírus e proteger as comunidades vulneráveis. A união em torno dessas causas pode fazer a diferença na luta contra a febre oropouche e suas consequências devastadoras.

Jornal da USP - Saúde
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