Impacto Social

Feminicídios no Brasil atingem recorde histórico, com Juliana sendo mais uma vítima da violência de gênero

Juliana Garcia dos Santos, agredida brutalmente pelo namorado em um elevador, representa a alarmante realidade da violência contra a mulher no Brasil, que atinge recordes históricos em feminicídios e tentativas.

Atualizado em
August 11, 2025
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Imagem gravada por câmera de segurança mostra vítima caída após receber mais de 60 socos do namorado agressor dentro do elevador, em Natal - Reprodução

O Brasil enfrenta um aumento alarmante da violência contra a mulher, evidenciado pelo caso de Juliana Garcia dos Santos, que foi brutalmente agredida pelo namorado em um elevador em Natal. As imagens do ataque, que durou 35 segundos e resultou em 61 socos, refletem uma realidade comum no país. Em 2024, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou o maior número de feminicídios da história, com 1.492 vítimas, e um aumento de 19% nas tentativas de feminicídio, totalizando 3.870 mulheres.

O perfil das vítimas revela que 63% são mulheres negras e cerca de 70% têm entre 18 e 44 anos, indicando que as mulheres em idade reprodutiva são as mais vulneráveis. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa, com 64% dos casos, e 97% dos agressores são homens. Em oito a cada dez casos, o feminicídio é cometido por companheiros ou ex-companheiros. Essa situação não é um incidente isolado, mas sim uma expressão brutal da misoginia que permeia a sociedade.

A Lei Maria da Penha, que completou 19 anos, é um marco na luta contra a violência de gênero, mas sua implementação enfrenta desafios significativos. Em 2024, houve um aumento de 6,6% nas medidas protetivas concedidas, mas as violações por parte dos agressores cresceram 10,8%. O número de atendimentos relacionados à violência doméstica pelo número de emergência das Polícias Militares, 190, ultrapassou um milhão, revelando um quadro alarmante de violência contra as mulheres no Brasil.

O caso de Juliana é um exemplo claro de como a sociedade precisa reagir. A mobilização de moradores e do porteiro foi crucial para evitar uma tragédia maior. No entanto, a realidade é que muitas mulheres não têm essa sorte. A cultura de controle e posse masculino ainda é forte, e as mulheres continuam a enfrentar um ambiente hostil. A luta pela emancipação feminina é frequentemente respondida com violência, o que reforça a necessidade de ações efetivas e urgentes.

Os dados são alarmantes e mostram que a sociedade precisa se unir para enfrentar essa questão. A violência contra a mulher não é apenas um problema individual, mas um reflexo de uma cultura que precisa ser transformada. Projetos sociais que visem a proteção e o empoderamento das mulheres devem ser incentivados, e a mobilização da sociedade civil é fundamental para que essas iniciativas ganhem força e alcance.

É essencial que a sociedade se una em torno de causas que promovam a proteção e a dignidade das mulheres. A ajuda a vítimas de violência pode fazer a diferença na recuperação e na construção de um futuro mais seguro. A união em torno de projetos que visem a prevenção e o apoio a essas mulheres é um passo importante para transformar essa realidade e garantir que casos como o de Juliana não sejam mais comuns.

Folha de São Paulo
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