Impacto Social

Financiamento privado para a emergência climática precisa crescer até 20 vezes, alerta Fórum no Rio de Janeiro

O 2º Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, no Rio de Janeiro, abordará a necessidade de aumentar o financiamento climático em até US$ 7 trilhões anuais até 2030, destacando a urgência de mobilização de capital privado. A ex-secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patricia Ellen, enfatiza que os bancos de desenvolvimento devem triplicar seus investimentos para catalisar esse capital. A diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, Maria Netto, ressalta a importância de reformas no Sistema Financeiro Internacional para facilitar o acesso a recursos internacionais.

Atualizado em
May 26, 2025
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Patricia Ellen, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo e presidente do Instituto AYA - Masao Goto/Estúdio Folha

O financiamento privado para enfrentar a emergência climática e ecológica precisa aumentar entre quinze e vinte vezes para que as metas das Nações Unidas sejam cumpridas até dois mil e trinta. Essa questão será debatida no 2º Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, que ocorrerá no Rio de Janeiro nos dias vinte e seis e vinte e sete de maio. O evento acontece às vésperas da COP30, em Belém, e em um cenário de mudanças nas políticas climáticas dos Estados Unidos.

O Fórum abordará a necessidade de um investimento adicional de quase sete trilhões de dólares por ano até dois mil e trinta, sendo dois vírgula cinco trilhões destinados a economias em desenvolvimento, excluindo a China. Patricia Ellen, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo e presidente do Instituto AYA, destaca que a mobilização desse capital privado requer a participação ativa dos bancos de desenvolvimento, que precisariam triplicar seus investimentos até a data limite.

Para facilitar essa mobilização, Ellen menciona a importância de reduzir riscos de exposição cambial e de "primeira perda". Ela defende a criação de instrumentos financeiros mais avançados e a ampliação da escala de investimentos dos bancos de desenvolvimento, visando gerar um movimento exponencial na captação de recursos privados. A estruturação desses mecanismos é considerada urgente.

Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, ressalta que o acesso a recursos internacionais é crucial para que países emergentes cumpram as metas climáticas da ONU. Isso implica reformas no Sistema Financeiro Internacional, com instituições multilaterais assumindo mais riscos para alavancar capital privado e melhorar o acesso a fundos climáticos internacionais.

O cenário se complica com a pressão do governo dos Estados Unidos sobre o setor privado para abandonar iniciativas climáticas. Apesar disso, Netto afirma que as instituições financeiras ainda reconhecem os riscos climáticos, que já causaram perdas econômicas significativas, especialmente no setor agro. Os bancos devem integrar esses riscos em suas operações e diversificar suas carteiras, aproveitando o potencial das energias renováveis no Brasil.

Roberto Vianna, sócio de bancário e financeiro do Vieira Rezende Advogados, observa que a mudança de governo nos Estados Unidos diminuiu o apetite por investimentos sustentáveis, mas projetos relacionados à energia renovável continuam em andamento. Ele acredita que a transição para uma economia sustentável é irreversível. Nesse contexto, a união da sociedade civil pode ser fundamental para impulsionar iniciativas que promovam a sustentabilidade e a recuperação ambiental.

Folha de São Paulo
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