Meio Ambiente

Formigas podem prejudicar polinização de plantas com nectários extraflorais, revela estudo da UFABC

Estudo revela que formigas podem prejudicar a polinização por abelhas em plantas com nectários extraflorais próximos às flores, mas beneficiam a reprodução quando estão distantes. Pesquisadores analisaram 27 estudos sobre essas interações.

Atualizado em
August 11, 2025
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Conclusões da pesquisa são resultado da análise de dados publicados em 27 estudos empíricos sobre as relações entre formigas, polinizadores e plantas com nectários extraflorais - Amanda Vieira da Silva/UFABC

Cerca de quatro mil espécies de plantas ao redor do mundo possuem nectários extraflorais, que secretam néctar fora das flores, como em caules e folhas. Esses nectários atraem formigas, que defendem as plantas contra herbívoros em troca do néctar. No entanto, um estudo recente publicado no Journal of Ecology revelou que a presença de formigas pode prejudicar a polinização por abelhas em plantas com nectários extraflorais próximos às flores, enquanto a distância entre esses nectários e as flores pode ser benéfica para a reprodução das plantas.

A pesquisa, realizada por Amanda Vieira da Silva, do programa de pós-graduação em evolução e diversidade da Universidade Federal do ABC (UFABC), analisou dados de 27 estudos sobre a interação entre formigas, polinizadores e plantas. Os resultados indicam que a presença de formigas diminui a frequência e o tempo que abelhas permanecem nas flores, dificultando a polinização. Em contraste, plantas com nectários distantes das flores mostraram aumento no sucesso reprodutivo, provavelmente devido à proteção contra herbívoros.

As borboletas, outro grupo de polinizadores, não são afetadas negativamente pelas formigas. Isso se deve ao fato de que as borboletas utilizam um órgão chamado espirotromba para sugar o néctar, permitindo que se alimentem sem se aproximar das formigas. As abelhas, por outro lado, precisam se aproximar das flores, o que as torna mais vulneráveis à interferência das formigas.

Laura Carolina Leal, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que a pesquisa revela a importância de analisar as interações entre diferentes espécies de forma integrada. Em vez de estudar apenas uma interação isolada, é crucial entender como a defesa contra herbívoros e a polinização ocorrem simultaneamente. Essa abordagem pode oferecer insights sobre a evolução das plantas com nectários extraflorais.

Além disso, as análises evolutivas sugerem que a presença de formigas pode ter influenciado a evolução dos nectários extraflorais. Se as formigas prejudicam a polinização, a manutenção desses nectários pode se tornar desvantajosa para as plantas, levando à perda dessa característica ao longo do tempo. Atualmente, apenas 46 dos quase mil gêneros de plantas com nectários extraflorais dependem exclusivamente de abelhas para a polinização.

Os pesquisadores também estão investigando se uma terceira interação, como a presença de bactérias fixadoras de nitrogênio nas raízes de algumas plantas, pode estabilizar a relação entre formigas e polinizadores. Essa interação pode favorecer a produtividade das plantas, permitindo que elas ofereçam recursos de alta qualidade para ambos os parceiros. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar pesquisas que busquem entender e preservar essas complexas interações ecológicas.

Folha de São Paulo
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