Meio Ambiente

Estudo revela que sobrepastejo na Caatinga compromete saúde do solo e requer manejo sustentável urgente

Estudo revela que a interrupção do pastejo na Caatinga não recupera a saúde do solo. Pesquisadores sugerem adubação verde e plantio de árvores para restaurar ecossistemas degradados em Pernambuco.

Atualizado em
April 23, 2025
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Contraste entre caatinga densa e área desmatada. Note-se que, na época chuvosa, a biomassa é abundante e exuberante (foto: Wanderlei Bieluczyk)

A Caatinga, um bioma exclusivo do Brasil, enfrenta sérios desafios devido à degradação ambiental causada por atividades humanas, como pecuária e agricultura. Um estudo recente em Pernambuco revelou que a simples interrupção do pastejo não é suficiente para restaurar a saúde do solo. Os pesquisadores sugerem a adoção de práticas como adubação verde e plantio de árvores, que têm mostrado resultados positivos em outros biomas tropicais.

O estudo, realizado em áreas de exploração pecuária no semiárido de Pernambuco, constatou que a compactação do solo e a redução de nutrientes, como nitrogênio e carbono, são consequências diretas do sobrepastejo. Mesmo após três anos de recuperação espontânea, a exclusão de animais não trouxe melhorias significativas na saúde do solo. A pesquisa faz parte da Rede Perene, vinculada ao Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga.

Os pesquisadores compararam solos de três tipos de cobertura: florestas densas preservadas, florestas em regeneração e áreas com histórico de sobrepastejo. Os resultados mostraram uma perda de 14,7 toneladas de carbono por hectare, contribuindo para o aquecimento global. Além disso, houve uma queda de 18% no índice de saúde do solo, que integra indicadores físicos, químicos e biológicos.

A saúde do solo é crucial para a biodiversidade e para a manutenção de funções essenciais, como a ciclagem de nutrientes e a retenção de água. O estudo enfatiza que a degradação severa causada pelo sobrepastejo requer um manejo ativo e práticas complementares para restaurar as funções do solo. A adubação verde, que envolve o plantio de leguminosas e gramíneas, pode melhorar a fertilidade e a estrutura do solo.

A professora Ana Dolores Santiago de Freitas destaca a especificidade da Caatinga, que possui um clima semiárido e uma flora adaptada a condições extremas. A degradação ecológica da região é resultado de décadas de uso inadequado da vegetação nativa. O pesquisador Wanderlei Bieluczyk detalha que a degradação começa com a retirada da vegetação nativa e a compactação do solo, dificultando a infiltração de água e o crescimento das raízes.

É fundamental implementar políticas públicas que promovam a recuperação da Caatinga e o manejo sustentável das atividades agropecuárias. A união da sociedade civil pode ser decisiva para apoiar iniciativas que visem a restauração desse bioma, garantindo a preservação dos serviços ecossistêmicos essenciais para a região e para o planeta.

Agência FAPESP
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