Meio Ambiente

Crescimento da demanda por água doce gera crise hídrica e contaminação em países em desenvolvimento

A escassez de água e a presença de contaminantes emergentes na água doce são problemas crescentes, especialmente em países em desenvolvimento, conforme revela um dossiê da revista Frontiers in Water. O pesquisador Geonildo Rodrigo Disner destaca que a água, essencial à vida, enfrenta desafios como a privatização e a deterioração da qualidade, afetando bilhões de pessoas. A falta de monitoramento e regulamentação de poluentes, como pesticidas e medicamentos, agrava a situação, exigindo ações urgentes para garantir água potável e de qualidade.

Atualizado em
April 28, 2025
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Esgoto sem tratamento adequado contribui para a presença de pesticidas, hormônios e medicamentos na água potável (Hemera/Thinkstock/VEJA)

A escassez de água e a desigualdade no acesso a esse recurso são problemas que se agravam com o crescimento populacional e a urbanização, especialmente em países em desenvolvimento. Um dossiê da revista Frontiers in Water destaca a presença crescente de contaminantes emergentes na água doce, evidenciando a falta de monitoramento e regulamentação, além de estudos sobre os impactos na saúde e nos ecossistemas.

Estudos indicam que, até dois mil e cinquenta, o uso global de água doce deve aumentar em cinquenta e cinco por cento. Essa demanda crescente impacta um cenário já marcado pela escassez e pela distribuição desigual dos recursos hídricos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em dois mil e vinte e quatro, cerca de dois bilhões e duzentas milhões de pessoas não tinham acesso a água potável gerida com segurança.

O pesquisador Geonildo Rodrigo Disner, do Instituto Butantan, coeditor do dossiê, alerta que a água doce nos países em desenvolvimento está cada vez mais contaminada por poluentes emergentes, como pesticidas, medicamentos e produtos de higiene. Esses compostos, embora não sejam novos, estão sendo detectados em concentrações alarmantes, gerando preocupações sobre seus efeitos tóxicos, que podem afetar a saúde humana e a biodiversidade.

Esses contaminantes não são removidos pelos métodos convencionais de tratamento de água, acumulando-se nos ecossistemas aquáticos. Disner destaca que muitos atuam como desreguladores endócrinos, afetando a reprodução e o desenvolvimento de organismos. A exposição a esses poluentes é geralmente crônica e silenciosa, aumentando os riscos à saúde ao longo da cadeia alimentar.

O dossiê também aborda a desigualdade no acesso à água e os efeitos das mudanças climáticas. Eventos extremos, como enchentes e secas severas, têm comprometido a infraestrutura de captação e distribuição de água potável. A disputa por recursos hídricos já é uma realidade em várias partes do mundo e tende a se intensificar nas próximas décadas, com apenas um quinto dos países possuindo acordos para a gestão conjunta de bacias hidrográficas transfronteiriças.

Os autores do dossiê defendem a criação de marcos regulatórios e programas de monitoramento voltados para os contaminantes emergentes, visando proteger a saúde humana e ambiental. Em meio a essa crise, iniciativas da sociedade civil podem ser fundamentais para garantir água potável de qualidade e promover a justiça hídrica, ajudando a mitigar os impactos da escassez e da contaminação.

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