Socioambiental

Garimpo ilegal na Amazônia expõe graves violações de direitos humanos e violência contra comunidades indígenas

Estudo da Repam-Brasil revela 309 casos de tráfico humano ligados ao garimpo ilegal na Amazônia, com 57% das vítimas sendo mulheres migrantes, destacando a violência e exploração no setor.

Atualizado em
June 28, 2025
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Rastro de destruição deixada pelo garimpo na Terra Indígena de Sararé — Foto: Fabio Bispo/Greenpeace

O garimpo ilegal na Amazônia, uma prática que remonta à colonização portuguesa, gera consequências devastadoras que vão além da destruição ambiental. Um estudo recente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil) revela que essa atividade criminosa está ligada a uma série de violações de direitos humanos, incluindo tráfico de pessoas, exploração sexual e trabalho análogo ao escravo. A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto Conviva, mapeou 309 casos de tráfico humano entre 2022 e 2024, destacando que 57% das vítimas são mulheres migrantes.

O relatório aponta que a falta de oportunidades de emprego e renda leva muitas pessoas a se envolverem com o garimpo, que se torna um espaço de exploração. Os pesquisadores enfatizam que a violência psicológica é uma tática comum utilizada por grupos que aliciam as vítimas. Além disso, a pesquisa revela que a situação das mulheres é alarmante, com um aumento significativo de casos de estupro coletivo e feminicídio nas regiões onde o garimpo é mais intenso.

O estudo também menciona eventos históricos, como o massacre Haximu, reconhecido como genocídio contra o povo Yanomami, e casos recentes de violência, como o estupro e assassinato de uma criança de doze anos por garimpeiros. Esses incidentes refletem a brutalidade da invasão de garimpeiros, que se intensificou desde 2018, em parte devido à conivência do governo federal com a exploração de recursos naturais.

A professora Márcia Oliveira, da Repam-Brasil, destaca que a presença de mais de 20 mil garimpeiros na Terra Yanomami é um reflexo da omissão do governo entre 2016 e 2022. A desintrusão das áreas invadidas é apenas uma parte da solução; é essencial implementar fiscalização contínua e oferecer alternativas de trabalho para as comunidades afetadas.

Os trabalhadores do garimpo, conhecidos como "proletários da lama", enfrentam condições precárias e jornadas exaustivas, muitas vezes sem direitos trabalhistas. Em caso de morte, os corpos são frequentemente abandonados, evidenciando a desumanização que permeia essa atividade. O uso de equipamentos sofisticados por criminosos para manter uma economia subterrânea e violenta é uma preocupação crescente.

O estudo da Repam-Brasil revela a urgência de ações efetivas para combater o garimpo ilegal e suas consequências. A mobilização da sociedade civil é fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção das comunidades afetadas e a promoção de alternativas sustentáveis. A união em torno dessas causas pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas vulneráveis, proporcionando esperança e oportunidades de um futuro melhor.

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