Impacto Social

Governo federal busca soluções improvisadas para hospedagem na COP30 em Belém, incluindo uso de habitações do Minha Casa Minha Vida

O governo federal busca soluções improvisadas para a escassez de leitos e altos preços de hospedagem na COP30 em Belém, incluindo o uso de habitações inacabadas e salas de aula como alojamentos. A conferência climática enfrenta críticas internacionais, levando à proposta de utilizar o Residencial Viver Pratinha e salas de aula para acomodar participantes e agentes de segurança. O governo também negocia tarifas acessíveis com hotéis para delegações de países em desenvolvimento.

Atualizado em
July 10, 2025
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Visita em residencial MCMV, Viver Pratinha (PA) — Foto: Gabriel Oliveira/Divulgação/Ministério das Cidades

Pressionado pelo descontentamento internacional devido à falta de leitos e aos altos preços de hospedagem para a COP30, que ocorrerá em Belém em novembro, o governo federal busca soluções alternativas. Uma das propostas é utilizar habitações inacabadas do programa Minha Casa Minha Vida como alojamento temporário para os participantes da conferência climática. O Ministério das Cidades confirmou que o uso do Residencial Viver Pratinha está sendo estudado, embora as obras do empreendimento estejam longe de serem concluídas.

O Residencial Viver Pratinha, que já enfrentou ocupações ilegais, teve suas obras retomadas em março de 2023. Imagens do local mostram condições precárias, com infiltrações e degradação. O ministério informou que 256 das 768 unidades habitacionais devem estar prontas até outubro. Além disso, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) planeja utilizar salas de aula como abrigo para cerca de novecentos agentes que atuarão durante o evento, reconhecendo a saturação da estrutura de hospedagem na cidade.

Para acomodar os agentes, a PRF firmou parcerias com instituições de ensino, como a Universidade Federal Rural da Amazônia e o Instituto Federal do Pará. A corporação listou materiais necessários para a conversão das salas em dormitórios, incluindo beliches, colchões e banheiros. A PRF também enfrenta o desafio do adiantamento da cúpula de líderes para os dias seis e sete de novembro, o que aumentou os custos logísticos, com uma necessidade de R$ 11,5 milhões ainda não cobertos.

O governo federal, enquanto busca alternativas, também tenta negociar com hotéis para garantir tarifas acessíveis a delegações de países em desenvolvimento. A proposta é que mais de trinta hotéis em Belém e Castanhal disponibilizem pelo menos quinhentos quartos com diárias entre cem e trezentos dólares. A expectativa é que essa negociação seja formalizada em breve, visando facilitar a participação de nações com restrições orçamentárias nas discussões climáticas.

O imbróglio sobre a hospedagem para a COP30 gerou tensões entre o governo federal e o setor hoteleiro. A Secretaria Nacional do Consumidor notificou formalmente vinte e quatro estabelecimentos pelos preços praticados, o que foi visto como uma ameaça pelos empresários. Em resposta, o governo do Pará está construindo a Vila COP, que oferecerá quatrocentos e cinco leitos para delegados, além de reformar escolas para serem utilizadas como hostels.

Nessa situação, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que garantam a participação de todos os países nas discussões climáticas. Projetos que visem a melhoria da infraestrutura e a oferta de hospedagem acessível podem fazer a diferença, permitindo que vozes de nações em desenvolvimento sejam ouvidas e contribuam para um futuro mais sustentável.

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