Impacto Social

Helena Monteiro da Costa, a última herdeira de um escravizado, resgata a história de sua família e sua longevidade

Helena Monteiro da Costa, última herdeira de um escravizado do século 19, ganhou reconhecimento aos 100 anos com a mudança do nome de uma travessa para Anísio José da Costa, homenageando seu pai.

Atualizado em
July 4, 2025
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Helena Monteiro da Costa (1925 - 2025) - Karime Xavier - 23 mar 23/Folhapress

Helena Monteiro da Costa, nascida em Santos, é reconhecida como a última herdeira direta de um escravizado do século 19. Após completar 100 anos, sua história e a de seu pai, Anizio José da Costa, ganharam destaque. Anizio, conhecido como Maninho, viveu até os 110 anos e foi traficado de Angola para o Brasil, onde trabalhou como estivador até os 108 anos. A trajetória de Helena reflete não apenas a longevidade familiar, mas também a luta e a resistência de sua ancestralidade.

Recentemente, a história de Helena foi resgatada por meio de pesquisas da antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, o que resultou em homenagens significativas. Uma delas foi a mudança do nome da travessa Comendador Netto, um antigo escravagista, para Anísio José da Costa, em abril de 2025. Essa alteração simboliza um reconhecimento da herança e da luta contra a escravidão, além de celebrar a vida de Maninho.

Helena cresceu em um contexto de dificuldades, onde a expressão "pobre como Maninho" se tornou sinônimo de extrema pobreza. Desde jovem, ela pescava para ajudar a sustentar a família e cultivava uma horta. Após a morte do pai, Helena deixou Santos e trabalhou em diversas funções, como empregada doméstica e cozinheira, até retornar à sua cidade natal após a aposentadoria.

Apesar de não gostar de dançar, Helena frequentava bailes com suas irmãs e tinha prazer em ler e caminhar. Sua experiência com racismo a afastou da Igreja Católica, levando-a a se tornar membro de uma igreja evangélica. Religiosa, participava ativamente de cultos e atividades em centros para idosos, além de ler a Bíblia em casa.

Com a divulgação de sua história, Helena passou a ser convidada para eventos de afroturismo, que visam resgatar a história negra na região. Sua vida, marcada por desafios e superações, inspira muitos a refletirem sobre a importância da memória e da valorização da cultura afro-brasileira.

Histórias como a de Helena Monteiro da Costa ressaltam a necessidade de apoio a iniciativas que promovem a cultura e a história afro-brasileira. A união da sociedade civil pode ser fundamental para fortalecer projetos que busquem resgatar e valorizar essas narrativas, garantindo que legados como o de Helena e seu pai sejam sempre lembrados e celebrados.

Folha de São Paulo
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