Impacto Social

Mães enlutadas enfrentam dor invisível e clamam por acolhimento e escuta qualificada na saúde mental

Durante o CB.Saúde, a psicóloga Alessandra Arrais enfatizou a necessidade de espaços dedicados para mães em luto gestacional, conforme a Lei Distrital nº 1.478/2024, e criticou a desvalorização da dor por profissionais de saúde.

Atualizado em
May 15, 2025
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CB.Saúde: psicóloga perinatal do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) Alessandra Arrais - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A saúde mental das mães, especialmente em situações de luto gestacional, foi um dos temas abordados no evento CB.Saúde, realizado em parceria entre o Correio e a TV Brasília. A psicóloga perinatal do Hospital Materno Infantil de Brasília, Alessandra Arrais, enfatizou a necessidade de um espaço adequado para mães que enfrentam a perda de bebês, conforme a Lei Distrital nº 1.478/2024. Ela destacou que a dor da perda é frequentemente invisibilizada e que ainda há muito desconhecimento sobre o luto gestacional.

Durante a entrevista, Arrais mencionou que muitas mulheres que perderam seus bebês enfrentam comentários desumanizadores, como a afirmação de que “era só um feto”, o que minimiza sua dor. Ela ressaltou a importância de criar um ambiente de escuta qualificada e de dar visibilidade a essa questão, que também afeta os pais. “Precisamos reconhecer e cuidar dessa dor”, afirmou a psicóloga.

Arrais também comentou sobre os cursos oferecidos pela Secretaria de Saúde, como o “Parto do Princípio”, que visa sensibilizar profissionais de saúde sobre a saúde mental materna durante todo o ciclo gravídico-puerperal, especialmente em casos de luto. A psicóloga enfatizou que a dor da perda deve ser reconhecida e tratada com seriedade.

A Lei Distrital nº 1.478/2024 estabelece que mães que perderam seus bebês têm direito a um espaço separado após o parto. Arrais relatou que muitas vezes essas mulheres são internadas na mesma enfermaria que mães com filhos vivos, o que pode ser extremamente doloroso. Ela compartilhou relatos de mães que, em momentos de luto, foram questionadas sobre a amamentação, o que agrava ainda mais a dor da perda.

O evento CB.Saúde trouxe à tona a necessidade urgente de um suporte emocional adequado para mães que enfrentam o luto gestacional. A psicóloga Alessandra Arrais fez um apelo para que a sociedade e os profissionais de saúde reconheçam a gravidade dessa situação e ofereçam o apoio necessário às mães enlutadas.

Nessa perspectiva, iniciativas que promovam a sensibilização e o suporte a essas mães são essenciais. A união da sociedade civil pode ser um fator determinante para melhorar a assistência e o acolhimento a essas mulheres, que precisam de apoio emocional e psicológico em um dos momentos mais difíceis de suas vidas.

Correio Braziliense
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