Impacto Social

Hesitação vacinal exige diálogo e confiança para reverter desinformação e fortalecer a imunização coletiva

A hesitação vacinal, discutida no Congresso de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, exige diálogo e confiança, não apenas informação. A construção da confiança é essencial para reverter a desconfiança nas vacinas.

Atualizado em
August 5, 2025
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Vacina da gripe — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

A hesitação vacinal é um fenômeno complexo que vai além da desinformação, especialmente em tempos de pandemia. Durante o Congresso de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, especialistas destacaram a necessidade de uma abordagem multissetorial para enfrentar essa questão. A decisão de vacinar é influenciada por fatores como contexto social, experiências passadas e a confiança nas instituições de saúde.

O comportamento de vacinação está intimamente ligado à percepção de risco. Aqueles que se sentem vulneráveis tendem a se vacinar, mesmo cientes de possíveis efeitos adversos. Em contrapartida, quem não percebe risco pode ignorar a imunização, o que explica a baixa adesão em períodos sem surtos. Informar não é suficiente; é essencial construir confiança através do diálogo respeitoso e da escuta ativa.

No Brasil, a crise de confiança nos imunizantes se agravou, especialmente após a pandemia de Covid-19. O país, que já foi referência em vacinação, viu o crescimento de discursos antivacina, impulsionados por informações errôneas. A urgência por respostas durante a pandemia resultou em uma avalanche de publicações científicas, muitas sem revisão adequada, que continuam a circular e alimentar a desconfiança.

Um exemplo emblemático é o estudo fraudulento de Andrew Wakefield, que associou a vacina tríplice viral ao autismo. Apesar de ter sido retratado, o artigo ainda é amplamente disseminado por grupos contrários à vacinação. Médicos que levantam dúvidas infundadas sobre vacinas muitas vezes se baseiam em crenças pessoais, reforçando narrativas antivacina, especialmente nas redes sociais.

É crucial que a população hesitante seja ouvida e não julgada. Muitas vezes, essas pessoas são vítimas de um sistema que falhou em fornecer informações acessíveis e acolhimento. O diálogo empático é fundamental para reconstruir a confiança e promover decisões informadas, especialmente entre os mais vulneráveis.

Enfrentar a hesitação vacinal requer uma abordagem centrada nas pessoas e a colaboração de diversos setores. A confiança deve ser vista como um reflexo de sistemas que funcionam de maneira transparente e coerente. Nessa luta, a união da sociedade civil pode ser um fator decisivo para apoiar iniciativas que promovam a vacinação como um ato coletivo de proteção e solidariedade.

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