Educação

Idosos do Distrito Federal enfrentam desafios na inclusão digital e aumentam vulnerabilidade a golpes online

A inclusão digital dos idosos no Distrito Federal enfrenta desafios, com um aumento de 400% em golpes digitais. Iniciativas de cursos de informática visam melhorar a segurança e a qualidade de vida dessa população.

Atualizado em
August 6, 2025
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Maria de Jesus caiu duas vezes em golpes digitais e resolveu fazer um curso para se preparar - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A inclusão digital dos idosos no Distrito Federal (DF) tem ganhado destaque, especialmente com o aumento de 400% nos golpes digitais contra essa faixa etária, conforme relatado pela Polícia Civil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de usuários de internet entre os idosos no DF subiu de 79,3% em 2023 para 84,8% em 2024. Essa realidade evidencia a necessidade urgente de cursos de informática e iniciativas de inclusão digital para garantir a segurança e a qualidade de vida dos idosos.

O delegado da Polícia Civil, Erick Sallum, explica que os criminosos frequentemente escolhem idosos como vítimas devido à vulnerabilidade emocional e à falta de familiaridade com as novas tecnologias. Ele destaca que muitos idosos viveram em um período mais analógico e agora enfrentam um bombardeio de novas ferramentas digitais. Essa situação torna-os alvos fáceis para fraudes, especialmente em plataformas digitais.

Maria de Jesus Costa, uma idosa de 75 anos, é um exemplo de como a educação digital pode empoderar essa população. Após ser vítima de golpes, ela decidiu se inscrever em um curso de informática para aprender a identificar mensagens e links confiáveis. Maria acredita que, mesmo com a idade avançada, é importante acompanhar o desenvolvimento tecnológico e se manter informada.

A demógrafa Marília Miranda, da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que a inclusão digital pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos idosos, ajudando a evitar o isolamento social e promovendo uma melhor saúde mental. Com a previsão de que, em 2070, 40,4% da população do DF será composta por idosos, a necessidade de políticas públicas voltadas para a alfabetização digital se torna ainda mais premente.

José Ivaldo Lucena, coordenador do Núcleo de Extensão da Universidade Católica de Brasília (UCB), enfatiza a importância do envolvimento da família e da comunidade na inclusão digital dos idosos. Ele aponta que a falta de cursos adequados e acessíveis é um dos principais obstáculos enfrentados por essa população. Além disso, muitos idosos evitam o uso de aplicativos e redes sociais por medo de fraudes, o que pode levar à exclusão digital voluntária.

Iniciativas como o projeto "Inclusão Digital da Pessoa Idosa" e o "Melhor Idade Conectada", promovidos pela Secretaria de Justiça e Cidadania do DF, buscam abordar essas questões. A UCB também oferece cursos gratuitos de informática para a terceira idade, promovendo a integração entre gerações. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar esses projetos, garantindo que mais idosos tenham acesso à educação digital e possam se proteger de fraudes.

Correio Braziliense
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