Socioambiental

Incêndios no Pantanal deixam marcas profundas em comunidades ribeirinhas e afetam saúde e educação

Moradores da comunidade ribeirinha Aterro do Binega enfrentam sérios problemas de saúde mental e física devido às queimadas no Pantanal, reivindicando uma unidade de saúde local. A situação se agrava com a dificuldade de acesso a tratamentos médicos em Corumbá.

Atualizado em
July 14, 2025
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Rosemari Gomes de Souza, 24 anos, caminha com suas filhas Rafaela (em seu colo), Jasmim (de vestido rosa) e Yasmim em comunidade ribeirinha em Corumbá (MS) - Rafaela Araújo/Folhapress

As queimadas no Pantanal, ocorridas em 2020 e 2024, deixaram marcas profundas no ecossistema e na saúde das comunidades ribeirinhas. Em Aterro do Binega, moradores relatam dificuldades de acesso a serviços de saúde e enfrentam problemas de saúde mental e física. Rosemari Gomes de Souza, moradora da região, destaca que "todo mundo ficou mal, com muito trauma do incêndio". A localidade, situada a quatro horas de barco de Corumbá, foi uma das mais afetadas, com 1,9 milhão de hectares queimados no último ano.

O impacto das queimadas é evidente. Rosemari recorda momentos de desespero, como quando sua família teve que deixar a casa para se proteger do fogo. A situação se agrava com a dificuldade de acesso a tratamentos médicos, que exigem viagens custosas até a cidade. A comunidade reivindica a instalação de uma unidade de saúde ou uma "ambulancha", um barco hospital, para atender às necessidades locais.

Os problemas de saúde são variados. O Ministério da Saúde alerta que a inalação de fumaça pode causar irritações e aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Edna da Silva Amorim, residente da comunidade, expressa preocupação com os efeitos da fumaça na saúde de seus filhos, que apresentam sintomas como tosse e sangramentos nasais. A situação é ainda mais crítica para crianças que, após vivenciarem as queimadas, desenvolveram traumas e medos relacionados ao fogo.

A Escola Municipal Rural de Educação Integral Polo São Lourenço, que atende alunos de Aterro do Binega, também sente os efeitos das queimadas. O professor Emilio Carlos Moraes observa mudanças no comportamento dos alunos, que demonstram medo e ansiedade. A escola precisou suspender aulas e evacuar alunos durante os incêndios, refletindo a insegurança que permeia a comunidade.

Além da saúde e da educação, o acesso a tratamentos para doenças crônicas é comprometido. Moradores como Joana, que convive com hipertensão e diabetes, dependem de remédios caseiros até conseguirem ir a Corumbá. A espera por atendimento médico no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma barreira adicional para a população local, que já enfrenta desafios diários.

Apesar das dificuldades, a comunidade recebeu treinamento para combater queimadas, promovido pelo PrevFogo, órgão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A união e o apoio da sociedade civil são essenciais para ajudar essas comunidades a se reerguerem e a se prepararem para o futuro. A mobilização em torno de projetos sociais pode fazer a diferença na vida de quem mais precisa.

Folha de São Paulo
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