Cultura

Indígenas Matis registram sua experiência em Paris e refletem sobre o futuro entre dois mundos

Indígenas Matis do Vale do Javari estreiam documentário em Paris, ressaltando a importância da filmagem para preservar sua cultura e conectar mundos distintos.

Atualizado em
April 10, 2025
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O cineasta indígena brasileiro Pixi Kata Matis — Foto: JOEL SAGET/AFP/4-4-2025

Os indígenas Pixi Kata Matis e Damba Matis, do Vale do Javari, apresentaram seu documentário "Matses Muxan Akadakit" em Paris, durante sua primeira viagem à Europa. Com o apoio do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), eles aprenderam a filmar sua cultura, destacando a importância dessa prática para preservar suas tradições e compartilhar experiências entre diferentes mundos.

Equipados com câmeras digitais, os Matis registraram sua passagem pela capital francesa. O documentário, que retrata um ritual significativo de tatuagem facial, foi gravado entre 2018 e 2019 e já foi exibido em países como Alemanha e Bélgica. A comunidade Matis, que viveu isolada até a década de 1970, agora enfrenta desafios e oportunidades em um mundo interconectado.

Pixi, de trinta e um anos, expressou sua emoção ao chegar a uma metrópole pela primeira vez, ressaltando a diferença entre as culturas. Ele afirmou que o futuro de seu povo é "viver entre dois mundos", mantendo suas tradições enquanto se adapta ao mundo ocidental. Damba, de vinte e cinco anos, enfatizou a importância da filmagem como uma ferramenta para documentar sua cultura e experiências.

O documentário foi exibido no College of France, uma instituição que historicamente estudou povos indígenas sem dar-lhes voz. Damba Matis, presidente da Associação dos Indígenas Matis, destacou que a câmera é essencial para registrar a cultura e as vivências da comunidade. Os anciãos da aldeia aguardam ansiosamente o retorno dos cineastas para ver as imagens e ouvir sobre a Europa.

Além da apresentação em Paris, os Matis estão desenvolvendo novos projetos audiovisuais, incluindo documentários sobre festivais locais e a espiritualidade amazônica. Lionel Rossini, consultor audiovisual, mencionou que um novo grupo de jovens está se preparando para continuar o trabalho iniciado por Pixi e Damba, mostrando a continuidade e a evolução da produção cultural na comunidade.

Iniciativas como a dos Matis são fundamentais para a preservação cultural e a troca de saberes. O apoio da sociedade civil pode ser decisivo para garantir que essas vozes continuem sendo ouvidas e que suas histórias sejam contadas. A união em torno de projetos culturais pode impactar positivamente a vida de comunidades indígenas, promovendo a valorização de suas tradições e a construção de um futuro mais inclusivo.

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