Impacto Social

L7nnon transforma vivências da periferia em arte e brilha como ator na novela 'Dona de Mim'

L7nnon, rapper e ator, brilha na novela "Dona de Mim" como Ryan, um ex-detento que enfrenta preconceitos. Ele busca representar as dores de quem tenta recomeçar, desafiando estigmas sociais.

Atualizado em
August 14, 2025
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L7nnon diz que a experiência em 'Dona de Mim' fez com que ele considerasse dar novos passos na dramaturgia - Manoella Mello/Globo

Ana Cora Lima, do Rio de Janeiro, destaca a trajetória do rapper L7nnon, que, aos trinta e um anos, decidiu expandir sua forma de contar histórias ao atuar na novela Dona de Mim. No papel de Ryan, um ex-detento que busca recomeçar sua vida, L7nnon reflete sobre os preconceitos e desafios enfrentados por muitos, afirmando: "Eu tento, através do Ryan, representar a dor das pessoas que buscam recomeçar."

O rapper, que já havia atuado em clipes e filmes independentes, recebeu o convite para o teste na novela como uma surpresa. Ele relata: "Quando fiz o teste, pensei: ‘Será?’. Depois, o pessoal falou que tinha gostado muito." L7nnon se preparou para as críticas, ciente de que alguns poderiam questionar sua presença no papel, mas defende seu espaço: "Acredito que há espaço para todos."

Em sua atuação, L7nnon busca mostrar a realidade da periferia, onde muitos se veem sem opções e acabam se envolvendo com o crime. Ele afirma: "Tem muita gente que simplesmente não teve opção. Isso é a realidade da nossa maioria menos privilegiada." A identificação do público com seu personagem tem sido forte, com muitos perguntando sobre sua vida na ficção.

O rapper compartilha que, após sua estreia, sentiu a pressão da autocrítica. "Na minha primeira aparição, pensei: ‘Não gostei’. Tive medo de mandar mal e transformar o que poderia ser uma bênção em maldição." No entanto, a recepção positiva do público o fez relaxar e continuar se dedicando à atuação.

L7nnon observa que a força de seu personagem reflete a realidade de muitos brasileiros invisibilizados. Ele destaca: "Menos de 5% dos moradores de favela estão no tráfico. A maioria é feita de pessoas sonhadoras." O rapper também menciona o preconceito que enfrenta por ser um artista de periferia que alcançou sucesso, afirmando que isso incomoda aqueles que esperam que ele se contente com menos.

Conciliar a música e a atuação tem sido desafiador, mas L7nnon está determinado a seguir aprendendo e se arriscando na dramaturgia. "Talvez não seja só uma fase. O que eu quero é seguir aprendendo e arriscando." Projetos que promovem a inclusão e a valorização de histórias como a dele merecem apoio e incentivo da sociedade, pois podem transformar vidas e abrir portas para novas oportunidades.

Folha de São Paulo
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