Impacto Social

Mães de crianças com deficiência protestam no Rio contra a falta de inclusão nas escolas municipais

Mães de crianças com necessidades especiais no Rio de Janeiro protestarão na Prefeitura por melhores condições de inclusão escolar após vídeo de menino autista desassistido viralizar. Elas exigem profissionais qualificados e apoio educacional.

Atualizado em
April 28, 2025
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Christian Trindade, menino autista e com síndrome de Down, fica sozinho no pátio da escola por falta de mediador na rede m — Foto: Foto de Christiane Freitas

Mães de crianças com necessidades especiais no Rio de Janeiro planejam um protesto em frente à Prefeitura na próxima quarta-feira, em resposta à falta de inclusão nas escolas municipais. A mobilização ocorre após a divulgação de um vídeo que mostra um menino autista e com síndrome de Down desassistido na Escola Municipal Virgílio Várzea, em Jacarepaguá. O vídeo, compartilhado pelo vereador Paulo Messina, já conta com mais de trinta mil curtidas e gerou indignação entre as mães.

Christian, o menino retratado, de nove anos, não possui mediador para acompanhá-lo nas aulas desde o início do ano letivo. Sua mãe, Christiane Freitas, relata que, até 2024, ele contava com o apoio de uma mediadora, mas a profissional se formou e não foi substituída. Christiane destaca que a transferência de seu filho para uma turma diferente o deixou mais ansioso e agitado, dificultando sua participação nas atividades escolares.

O vídeo que expõe a situação de Christian foi gravado por Leonela Mendonça, mãe de outro menino com necessidades especiais. Leonela, que também enfrenta desafios semelhantes, afirma que a luta é coletiva e que não se pode ignorar a situação de outras crianças. Ela já conseguiu um mediador para seu filho após mobilizações anteriores, mas ainda se preocupa com a segurança e o bem-estar dele na escola.

Após a repercussão do caso, as mães foram convidadas para uma reunião com o subsecretário da Secretaria Municipal de Educação, Antoine Azevedo Lousão. No entanto, a reunião não ocorreu, pois o subsecretário se recusou a receber uma das mães presentes. Christiane expressou sua frustração com a falta de atenção das autoridades, considerando o episódio um descaso com as necessidades das crianças.

O vereador Paulo Messina se comprometeu a apoiar a manifestação e enfatizou a necessidade de profissionais qualificados para atender as crianças com necessidades especiais. Fabiane Simão, presidente da Associação Nenhum Direito a Menos, destacou que cerca de duzentas famílias já relataram problemas semelhantes nas escolas municipais, pedindo por mediadores, salas de recursos e formação adequada para os professores.

A Secretaria Municipal de Educação informou que a rede pública já conta com quase trinta mil alunos na Educação Especial, com nove mil profissionais dedicados. No entanto, as mães insistem que a realidade nas escolas não reflete esses números. A união da sociedade civil pode ser fundamental para garantir que crianças como Christian recebam o apoio necessário para uma educação inclusiva e de qualidade.

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