Meio Ambiente

Marina Silva busca consenso no Congresso para reverter flexibilização do licenciamento ambiental

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfrenta resistência no Congresso após o veto de 63 dispositivos da nova lei de licenciamento ambiental pelo presidente Lula, que propõe um novo projeto. A ministra busca convencer os parlamentares sobre a importância de integrar avanços conceituais, mantendo a proteção ambiental e a agilidade no processo.

Atualizado em
August 12, 2025
Clock Icon
4
min
Marina Silva em seu gabinete no ministério do Meio Ambiente, em Brasília - Gabriela Biló/Folhapress

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfrenta um cenário desafiador no Congresso Nacional para implementar mudanças no licenciamento ambiental. Após duas décadas de tramitação de um projeto que nunca alcançou consenso, o tema ganhou nova relevância com os 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a apresentação de um novo projeto que busca integrar avanços conceituais, sem abrir mão da proteção ambiental.

Marina Silva destaca a necessidade de convencer os parlamentares sobre a importância de um novo encaminhamento que dialogue com as expectativas do Congresso. A lei aprovada anteriormente flexibilizou o licenciamento ambiental, visando acelerar o desenvolvimento econômico, mas gerou controvérsias. Dispositivos como a Licença por Adesão e Compromisso (LAC) e a Licença Ambiental Especial (LAE) foram vetados, mas estão sendo reavaliados no novo projeto de urgência constitucional enviado ao Congresso.

A LAC permite que empreendimentos de pequeno e médio porte sejam autorizados mediante compromisso de respeito às exigências ambientais. Já a LAE, que prioriza projetos estratégicos, foi acelerada por Lula através de uma medida provisória. A ministra reconhece que, apesar de críticas à proposta anterior, houve avanços que podem ser aproveitados no novo projeto, garantindo segurança jurídica e agilidade no licenciamento.

Entretanto, o caminho para a aprovação no Congresso não é simples. Desde 2023, a ministra enfrentou reveses significativos, como a redução da influência da pasta ambiental e a nova legislação sobre agrotóxicos. A Secretaria de Relações Institucionais, liderada pela ministra Gleisi Hoffmann, será fundamental para o diálogo com os líderes parlamentares, incluindo Davi Alcolumbre e Hugo Motta, que ainda não se posicionaram sobre o novo projeto.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que desde o início do terceiro governo Lula, foram abertos 398 novos mercados, resultado de políticas de proteção ambiental. Marina Silva enfatiza que o esforço no licenciamento deve ser para proteger mais, evitando que os beneficiários atuais se tornem os prejudicados no futuro. O novo projeto propõe mais etapas de análise ambiental, mantendo um prazo máximo de doze meses para a conclusão do processo.

Com a proposta do governo, a aplicação da LAC será restrita a casos de pequeno potencial poluente, e as normas estaduais e municipais devem alinhar-se às diretrizes nacionais. A ministra acredita que, ao corrigir pontos inconstitucionais, o Brasil pode evitar um colapso ambiental. Em tempos de desafios, a união da sociedade pode ser crucial para apoiar iniciativas que promovam a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

"Quase um quarto do Brasil queimou entre 1985 e 2024, com recordes alarmantes na Amazônia e Mata Atlântica"
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
"Quase um quarto do Brasil queimou entre 1985 e 2024, com recordes alarmantes na Amazônia e Mata Atlântica"
News Card

Em 2024, o Brasil enfrentou um aumento alarmante nas queimadas, com a Amazônia queimando 15,6 milhões de hectares, um recorde histórico. O Cerrado e a Amazônia juntos representam 86% das áreas afetadas.

Ministério Público suspende obras no Parque Nacional de Jericoacoara por falta de licenciamento ambiental adequado
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Ministério Público suspende obras no Parque Nacional de Jericoacoara por falta de licenciamento ambiental adequado
News Card

Ministério Público do Ceará suspendeu contrato de concessão no Parque Nacional de Jericoacoara por falta de estudos ambientais, enquanto ICMBio defende que não são necessárias licenças para as obras. A decisão visa evitar danos ao meio ambiente e responde a preocupações da comunidade local sobre os impactos da exploração turística. A concessionária, Urbia Cataratas Jericoacoara S.A., argumenta que as intervenções são autorizadas, mas a situação permanece indefinida até que as licenças sejam obtidas.

Indígenas Mebêngôkre-Kayapó se destacam no combate a incêndios florestais na Terra Indígena Las Casas
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Indígenas Mebêngôkre-Kayapó se destacam no combate a incêndios florestais na Terra Indígena Las Casas
News Card

Brigada indígena Mebêngôkre-Kayapó intensifica ações de combate a incêndios na Terra Indígena Las Casas, com queima prescrita e monitoramento, resultando em 778 focos de calor detectados em 2024.

Justiça Federal anula contratos de exploração de madeira em área do PAE Maracá, no Amapá
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Justiça Federal anula contratos de exploração de madeira em área do PAE Maracá, no Amapá
News Card

A Justiça Federal anulou contratos de exploração de madeira no PAE Maracá, em Mazagão (AP), devido a irregularidades e falta de anuência do Incra, enquanto a empresa TW Forest recorre da decisão. A medida visa proteger a área e os direitos dos assentados.

Cerrado registra menor área queimada em julho em sete anos, com redução de 40% em relação a 2024
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Cerrado registra menor área queimada em julho em sete anos, com redução de 40% em relação a 2024
News Card

Em julho de 2025, o Brasil registrou a menor área queimada em sete anos, com 748 mil hectares, destacando o Cerrado como o mais afetado. A redução de 40% em relação a 2024 é um sinal positivo, mas a prevenção deve ser intensificada.

Al Gore destaca Brasil como líder na transição energética e critica poder da indústria fóssil na COP30
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Al Gore destaca Brasil como líder na transição energética e critica poder da indústria fóssil na COP30
News Card

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, destacou a importância do Brasil como líder na COP30 e criticou a influência da indústria fóssil nas negociações climáticas, expressando otimismo sobre a transição para energias limpas.