Impacto Social

Meninos enfrentam desafios na construção da masculinidade e buscam referências positivas em meio a crises emocionais

Uma pesquisa revela que 14% dos meninos brasileiros veem influenciadores digitais como referências masculinas, enquanto 46% desejam ajuda para se livrar de vícios em pornografia e games. O estudo, realizado pelo Instituto Papo de Homem, destaca a escassez de modelos positivos e a necessidade de diálogo sobre masculinidade saudável.

Atualizado em
May 21, 2025
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Pesquisa mostra que 40% dos meninos adolescentes se consideram viciados em celulares Foto: pixarno/Adobe Stock

Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Papo de Homem, com apoio do Pacto Global da ONU, revela que 14% dos meninos brasileiros entre treze e dezessete anos consideram influenciadores digitais como suas principais referências masculinas. Além disso, um em cinco adolescentes se declara viciado em games ou pornografia, e 46% deles desejam ajuda para superar esses vícios. Esses dados destacam a escassez de referências masculinas positivas na vida desses jovens.

O fundador do Instituto Papo de Homem, Guilherme Valadares, enfatiza que muitos meninos enfrentam um "caldeirão de rejeição, culpa e raiva", exacerbado pela falta de diálogo sobre sentimentos. O estudo, que coletou respostas de quatro mil adolescentes em 2023, também mostra que 40% se consideram viciados em celulares, enquanto 21,6% mencionam dependência de games e 18,97% de pornografia.

Valadares aponta que a maioria dos meninos não se sente à vontade para discutir suas emoções, seguindo a tradição de que homens não falam sobre seus sentimentos. A pesquisa indica que 60% dos meninos convivem com poucos ou nenhum homem que considerem um bom exemplo de masculinidade. Além disso, metade deles não tem certeza se seus pais os amam, o que agrava a crise de identidade masculina.

O projeto "Meninos: Sonhando os Homens do Futuro" busca abordar essas questões por meio de programas em escolas e centros esportivos, além de uma expedição na natureza programada para 2024. Durante essa expedição, os adolescentes participarão de atividades físicas, meditação e discussões sobre masculinidade, que serão documentadas em um filme a ser lançado no final do ano.

Valadares destaca que a cultura da "zoeira", machismo e homofobia ainda permeiam a vida desses meninos, que muitas vezes associam masculinidade à agressividade. É fundamental que eles vejam alternativas de masculinidade que incluam cuidado, emoções e vulnerabilidade. O psicólogo Marlon Nascimento ressalta a importância de discutir a masculinidade saudável, questionando como desconstruir o machismo e reconstruir o masculino.

Os dados da pesquisa revelam que a maioria dos meninos, independentemente da cor da pele, deseja aprender a tratar as mulheres com respeito. Essa busca por referências positivas e diálogo é essencial para moldar uma nova geração. A união da sociedade civil pode ser um passo importante para apoiar iniciativas que promovam a saúde mental e a construção de uma masculinidade saudável entre os jovens.

Estadão
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