Socioambiental

Moradores da Vila da Barca protestam contra estação de esgoto que não beneficiará a comunidade

Moradores da Vila da Barca protestam contra a construção de uma estação de esgoto que, segundo eles, beneficiará apenas áreas nobres de Belém, enquanto a comunidade permanece sem saneamento. A obra, parte das preparações para a COP30, gerou descontentamento e ações judiciais.

Atualizado em
June 17, 2025
Clock Icon
3
min
Tapume mostra futura estação de esgoto para a COP30 na Vila da Barca, em Belém, comunidade que não tem saneamento básico Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Moradores da Vila da Barca, uma das maiores comunidades de palafitas de Belém, estão em protesto contra a construção de uma estação elevatória de esgoto. A obra, que faz parte das preparações para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), é vista como um benefício apenas para bairros nobres da cidade, enquanto a comunidade local permanece sem acesso a saneamento básico. A construção, orçada em R$ 25 milhões, visa bombear esgoto de áreas baixas para a estação de tratamento do Una.

A estação elevatória está sendo erguida na Passagem Praiana, na entrada da comunidade, em um terreno que foi expropriado de uma antiga empresa de navegação. Moradores afirmam que foram surpreendidos pela obra, que começou a ser cercada com tapumes em outubro do ano passado. A educadora Susane Barreirinhas, líder comunitária, expressou a indignação da população: "Vai construir aqui, mas para os outros. A gente vai continuar jogando esgoto no rio sem ser beneficiado."

Além da falta de benefícios diretos, a comunidade também se preocupa com o odor que a obra pode gerar. Durante uma audiência pública, uma representante do governo admitiu que a construção poderia causar um "odor de gás" no dia a dia. A professora Inêz Medeiros, ex-presidente da associação de moradores, destacou que a área das palafitas não está incluída no projeto, que se concentra na avenida principal.

A associação de moradores já entrou com uma ação judicial para tentar barrar a obra, alegando falta de diálogo com o governo. "Eles seguem mexendo, de forma discreta. Não há interesse em dialogar com a comunidade", afirmou Medeiros. A previsão de término da obra é para agosto, mas a insatisfação dos moradores continua crescendo.

O governo do Pará defende a obra como um legado da COP30, afirmando que ela beneficiará bairros da Bacia Hidrográfica do Una, incluindo a Vila da Barca. No entanto, os moradores rebatem que o projeto não atende suas necessidades, pois não inclui a infraestrutura necessária para as casas sobre palafitas, onde a situação de saneamento é mais crítica.

Nessa situação, a união da sociedade civil pode fazer a diferença. Projetos que visem melhorar a infraestrutura e o acesso ao saneamento na Vila da Barca são essenciais para garantir dignidade e qualidade de vida aos seus moradores. É fundamental que a comunidade receba o apoio necessário para que suas vozes sejam ouvidas e suas necessidades atendidas.

Leia mais

Brasil destaca liderança em redução de riscos de desastres em encontro com a ONU em Genebra
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Brasil destaca liderança em redução de riscos de desastres em encontro com a ONU em Genebra
News Card

A delegação brasileira se reuniu com a Secretária-Geral Adjunta da ONU para discutir a liderança do Brasil na COP-30 e políticas de redução de riscos de desastres. O encontro destacou a importância de ações conjuntas em água e adaptação climática.

Indígenas Waimiri Atroari assumem protagonismo na fiscalização de obras do linhão de Tucuruí no Amazonas
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Indígenas Waimiri Atroari assumem protagonismo na fiscalização de obras do linhão de Tucuruí no Amazonas
News Card

O povo Waimiri Atroari, após séculos de pressão territorial, agora fiscaliza a construção do linhão de Tucuruí, buscando mitigar impactos em seu território, um modelo inédito na Amazônia. A participação ativa dos kinjas na fiscalização representa uma mudança significativa na abordagem de grandes empreendimentos na região.

Audiências públicas no Amapá discutem concessão de áreas florestais e potencial para 2 mil empregos diretos
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Audiências públicas no Amapá discutem concessão de áreas florestais e potencial para 2 mil empregos diretos
News Card

Audiências públicas no Amapá discutem concessão de 607 mil hectares de áreas florestais, com potencial para gerar até 2 mil empregos diretos em cinco municípios. O projeto, em parceria com o BNDES, visa promover o uso sustentável e a preservação ambiental.

Mudanças climáticas elevam a violência de gênero e aprofundam desigualdades sociais já existentes
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Mudanças climáticas elevam a violência de gênero e aprofundam desigualdades sociais já existentes
News Card

Mudanças climáticas aumentam a violência de gênero, com um estudo apontando que cada aumento de 1ºC na temperatura global eleva em quase 5% os casos de agressões a mulheres por parceiros íntimos. Eventos extremos, como secas e enchentes, intensificam desigualdades sociais e expõem mulheres a riscos maiores, como feminicídios, que aumentam em 28% durante ondas de calor.

Cacau brasileiro ganha rastreabilidade com tecnologia inovadora para garantir sustentabilidade e qualidade
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Cacau brasileiro ganha rastreabilidade com tecnologia inovadora para garantir sustentabilidade e qualidade
News Card

O Centro de Inovação do Cacau (CIC) lançou, em parceria com a Trace Tech, o Sistema Brasileiro de Rastreabilidade do Cacau, já adotado por 51 agricultores em Rondônia, promovendo a sustentabilidade na produção. A tecnologia garante transparência e atende à legislação da União Europeia, com potencial para expandir a 150 produtores na Bahia e outros estados.

Marcas amazônicas enfrentam desafios, mas se destacam na indústria da beleza e na sustentabilidade
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Marcas amazônicas enfrentam desafios, mas se destacam na indústria da beleza e na sustentabilidade
News Card

Marcas nativas da Amazônia, embora enfrentando desafios financeiros e logísticos, destacam-se na indústria da beleza com práticas sustentáveis. Pesquisa revela que 71% estão na Região Norte, mas apenas 35% são financeiramente viáveis.