Meio Ambiente

Mudanças climáticas ampliam lacuna de proteção no setor de seguros na América Latina, alerta CEO da Swiss Re

Mudanças climáticas aumentam riscos no Brasil, diz CEO da Swiss Re, Kaspar Mueller. Ele alerta para a baixa penetração de seguros e a falta de políticas públicas eficazes.

Atualizado em
April 16, 2025
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Kaspar Mueller, CEO para América Latina da Swiss Re (Foto: Divulgação/Swiss Re)

O CEO da Swiss Re para a América Latina, Kaspar Mueller, alertou sobre o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil e a necessidade de contratos de seguro anuais para uma gestão de riscos mais eficaz. Ele destacou que a combinação de maior exposição a riscos e a baixa penetração de seguros na América Latina amplia o "gap de proteção", que é a diferença entre perdas econômicas e perdas seguradas.

Mueller mencionou que os eventos climáticos, como secas e enchentes, estão se tornando mais recorrentes, citando tragédias em Petrópolis (RJ) e no Rio Grande do Sul como exemplos de falhas na gestão de riscos. Ele enfatizou que o impacto financeiro das catástrofes naturais tem crescido, com sinistros globais superando a marca de US$ 100 bilhões por ano nos últimos cinco anos.

O executivo explicou que a mudança climática não apenas intensifica a severidade dos riscos, mas também torna sua previsibilidade mais difícil, afetando a precificação de seguros. Para mitigar esses riscos, a Swiss Re prefere contratos anuais, que permitem a atualização constante dos dados sobre eventos climáticos, ao invés de contratos plurianuais.

No Brasil, a penetração de seguros é alarmantemente baixa, com apenas trinta por cento da frota automotiva e dezessete por cento das residências seguradas. Mueller atribui essa resistência a fatores culturais e econômicos, além da falta de exigências por parte de instituições financeiras, o que acentua o protection gap.

Ele também criticou a ausência de políticas públicas eficazes, apontando que, enquanto países como o México implementam iniciativas bem-sucedidas para proteger infraestrutura crítica, o Brasil ainda apresenta um avanço tímido. A criação de parcerias público-privadas é vista como uma solução para proteger ativos essenciais da sociedade.

Mueller acredita no potencial do Brasil, que ainda não atingiu suas promessas de crescimento, mas possui um grande espaço para desenvolvimento no setor de seguros. Em situações como essa, a união da sociedade pode ser fundamental para ajudar aqueles que enfrentam as consequências das mudanças climáticas e a falta de proteção adequada.

InfoMoney
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