Socioambiental

Paiter-Suruí preserva saberes tradicionais sobre primatas em meio a desafios socioambientais na Amazônia

Paiter-Suruí destacam seu conhecimento tradicional sobre primatas ameaçados na Terra Indígena Sete de Setembro, propondo um Plano de Gestão Territorial para sua conservação e valorização cultural.

Atualizado em
May 23, 2025
Clock Icon
3
min
Anthony

O povo Paiter-Suruí, que habita a Terra Indígena Sete de Setembro, localizada na fronteira entre os estados de Rondônia e Mato Grosso, possui um conhecimento profundo sobre a fauna local, especialmente em relação a primatas ameaçados de extinção. Recentemente, uma pesquisa em etnoprimatologia destacou a importância cultural e ecológica de espécies como o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), propondo um Plano de Gestão Territorial para sua conservação.

O território dos Paiter-Suruí, conhecido como Paiterey Karah, é rico em biodiversidade, mas enfrenta desafios significativos devido ao desmatamento e à degradação ambiental. A pesquisa identificou dez espécies de primatas reconhecidas pelos indígenas, das quais cinco estão listadas como ameaçadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Entre essas, três são consideradas extremamente raras, segundo o conhecimento tradicional Paiter.

A pesquisa, realizada durante um mestrado no Museu Paraense Emílio Goeldi, buscou integrar o saber tradicional dos Paiter-Suruí com abordagens científicas. O estudo utilizou métodos qualitativos, como entrevistas e observação participante, para coletar dados sobre a relação dos Paiter com os primatas, incluindo seu uso na alimentação, medicina tradicional e práticas culturais.

O macaco-aranha-de-cara-preta, conhecido como Arimẽ-Iter pelos Paiter, é uma espécie sagrada e de múltiplas utilidades. Sua carne é consumida, e seus dentes são usados na confecção de adornos. Além disso, a banha do animal é utilizada como remédio. A pesquisa sugere que essa espécie é uma Espécie-Chave Cultural, refletindo a interdependência entre o povo e seu ambiente.

Os Paiter-Suruí também desenvolveram um Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) para enfrentar os desafios socioambientais. Implementado em dois mil, o PGTA orienta ações de conservação e uso sustentável dos recursos naturais. No entanto, a pesquisa aponta que não há ações contínuas específicas para a proteção das espécies ameaçadas de primatas, apesar de sua importância para o equilíbrio ecológico e a cultura local.

É fundamental que a sociedade civil se una para apoiar iniciativas que promovam a conservação das espécies e a valorização do conhecimento tradicional dos Paiter-Suruí. Projetos que visem a preservação da biodiversidade e a cultura indígena podem fazer uma diferença significativa na proteção dessas etnoespécies e na continuidade dos saberes ancestrais.

Leia mais

Comunidades quilombolas se opõem a teste de perfuração na Foz do Amazonas e denunciam racismo ambiental
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Comunidades quilombolas se opõem a teste de perfuração na Foz do Amazonas e denunciam racismo ambiental
News Card

Comunidades quilombolas se opõem a teste de perfuração na Foz do Amazonas, agendado para o dia 24, alegando falta de consulta prévia e denunciando racismo ambiental. A Conaq critica a ausência de participação democrática.

Adriano Karipuna clama por justiça e fim do genocídio contra povos indígenas e palestinos no TEDxAmazônia
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Adriano Karipuna clama por justiça e fim do genocídio contra povos indígenas e palestinos no TEDxAmazônia
News Card

Líder indígena Adriano Karipuna protestou no TEDxAmazônia contra o genocídio de povos tradicionais, clamando por respeito à diversidade cultural e pela demarcação de terras indígenas. Ele destacou a crescente violência e pediu ações efetivas para proteger os povos originários.

Brasília sedia a IV Marcha das Mulheres Indígenas com mais de sete mil participantes em defesa de direitos e territórios
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Brasília sedia a IV Marcha das Mulheres Indígenas com mais de sete mil participantes em defesa de direitos e territórios
News Card

A IV Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília reúne mais de sete mil participantes para reivindicar direitos e proteção ambiental, destacando a luta contra a violência e a exploração. O evento, promovido por organizações indígenas, busca fortalecer a voz feminina na defesa dos territórios e na resistência às mudanças climáticas. A mobilização culminará em uma marcha até o Congresso Nacional, enfatizando a urgência de ações contra a devastação e a violência nos territórios indígenas.

Ferrogrão avança com estudos da ANTT, mas enfrenta resistência de comunidades indígenas e disputas judiciais
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Ferrogrão avança com estudos da ANTT, mas enfrenta resistência de comunidades indígenas e disputas judiciais
News Card

A ANTT enviará estudos ao TCU sobre a Ferrogrão, com leilão previsto para 2024, enquanto comunidades indígenas contestam a consulta prévia e reivindicam R$ 1,7 bilhão em indenização. O projeto enfrenta forte resistência socioambiental.

Simpósio Internacional celebra uma década da encíclica ‘Laudato Si’ com presença de cardeais e artistas renomados
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Simpósio Internacional celebra uma década da encíclica ‘Laudato Si’ com presença de cardeais e artistas renomados
News Card

A PUC-Rio promove o Simpósio Internacional “10 Anos da Laudato Si’” de 27 a 29 de maio, com cardeais do Vaticano, celebrando a encíclica do Papa Francisco. O evento inclui uma abertura cultural e inovações em energia solar.

Governo federal investe R$ 150 milhões em editais para o desenvolvimento sustentável do território do Xingu
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Governo federal investe R$ 150 milhões em editais para o desenvolvimento sustentável do território do Xingu
News Card

O Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), destinará R$ 150 milhões para novos editais do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX). A iniciativa visa promover o desenvolvimento sustentável no Pará, focando na inclusão social e valorização da biodiversidade, beneficiando diretamente as comunidades locais.