Meio Ambiente

Pesquisadores da Unesp descobrem nova espécie de bagre na bacia do rio Xingu e alertam para conservação da biodiversidade

Pesquisadores da Unesp identificaram uma nova espécie de bagre, Imparfinis arceae, na bacia do rio Xingu, após uma década de estudos morfológicos e genéticos, ressaltando a urgência da conservação da biodiversidade.

Atualizado em
July 15, 2025
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01 nova especie bagre

Pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram uma nova espécie de bagre, chamada Imparfinis arceae, na bacia do rio Xingu, no Mato Grosso. A descoberta, resultado de uma década de análises morfológicas e genéticas, foi publicada na revista Ichthyology & Herpetology em abril de 2025. O estudo destaca a importância da conservação da biodiversidade, especialmente em regiões ameaçadas.

Os bagres, conhecidos por suas características como os "bigodes", incluem mais de quatro mil espécies, variando em tamanho e habitat. O gênero Imparfinis é encontrado em rios de água doce da América do Sul, e a nova espécie foi identificada após a coleta de exemplares em 2012, durante uma expedição liderada pelo professor Claudio Oliveira.

A identificação da nova espécie se deu por meio de uma faixa preta distinta na lateral do corpo, que chamou a atenção dos pesquisadores. Gabriel de Souza da Costa e Silva, que liderou a investigação, explicou que a busca por novas espécies envolve a observação de características físicas únicas, como padrões de coloração e formato da cauda.

Após a coleta, os exemplares foram armazenados e analisados em 2022, quando Gabriel percebeu que alguns apresentavam características que os diferenciavam de outras espécies conhecidas. A análise morfológica revelou que I. arceae possui 39 vértebras, enquanto a espécie semelhante I. hasemani tem 40, além de diferenças no tamanho dos olhos e comprimento da cabeça.

As análises genéticas complementaram os dados morfológicos, permitindo a comparação do DNA dos exemplares. O sequenciamento do gene marcador COI (citocromo c oxidase) mostrou mais de seis por cento de divergência genética em relação a outras espécies do gênero, confirmando a nova classificação. A espécie foi nomeada em homenagem à ictióloga Mariangeles Arce Hernández, reconhecendo sua contribuição para a pesquisa.

A descoberta de I. arceae ressalta a necessidade de conservação das espécies endêmicas da região do Alto Xingu, que enfrenta ameaças como o desmatamento. A preservação desses habitats é crucial para a sobrevivência de espécies que não são encontradas em outros locais. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção da biodiversidade e a preservação dos ecossistemas.

Jornal da UNESP
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