Saúde e Ciência

Pré-diabetes: entenda como a resistência à insulina e a alimentação adequada podem prevenir a diabetes tipo 2

Em 2024, o Brasil registra 15,2 milhões de casos de pré-diabetes, destacando a urgência de uma alimentação saudável e exercícios físicos para prevenir a diabetes tipo 2. A resistência à insulina e o acúmulo de gordura abdominal são fatores críticos que agravam a condição.

Atualizado em
July 15, 2025
Clock Icon
4
min
No pré-diabetes os níveis de glicose (açúcar) no sangue estão acima do normal, mas não tanto quanto no diabetes tipo 2 Foto: ArtemisDiana/Adobe Stock

Em 2024, o Brasil deve registrar cerca de 15,2 milhões de diagnósticos de pré-diabetes, uma condição que indica níveis elevados de glicose no sangue, mas que ainda não se enquadra no diabetes tipo 2. A Federação Internacional de Diabetes (IDF) destaca a importância de uma alimentação saudável e da prática de exercícios físicos para prevenir a progressão dessa condição. O pré-diabetes é frequentemente associado a fatores genéticos e comportamentais, como a obesidade e a má alimentação.

O médico Ruy Lyra da Silva Filho, coordenador do Departamento de Diabetes Mellitus da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), explica que a resistência à insulina é um dos principais problemas enfrentados por pessoas com pré-diabetes. Essa resistência ocorre quando o corpo não consegue utilizar a insulina de forma eficaz, levando a um aumento dos níveis de glicose no sangue. A gordura abdominal é um fator crítico, pois produz hormônios que dificultam a ação da insulina.

Fernando Valente, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), complementa que a resistência à insulina não afeta apenas o tecido adiposo e muscular, mas também o cérebro, dificultando a sensação de saciedade. Isso pode levar a um ciclo vicioso, onde o aumento de peso agrava a resistência à insulina, tornando o emagrecimento ainda mais desafiador. Assim, mesmo pessoas com um Índice de Massa Corporal (IMC) normal podem ter resistência à insulina se apresentarem uma má distribuição de gordura.

O tratamento do pré-diabetes envolve uma dieta equilibrada, rica em fibras, proteínas magras e gorduras saudáveis. Marlice Marques, nutricionista e coordenadora do Departamento de Nutrição da SBD, recomenda o consumo de 25 a 30 gramas de fibras por dia, priorizando alimentos integrais, frutas e leguminosas. Além disso, a hidratação adequada e a limitação do consumo de frutas a duas ou três porções diárias são essenciais para o controle da glicemia.

As diretrizes da SBD também sugerem que pessoas com pré-diabetes realizem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. A combinação de exercícios aeróbicos e de resistência é eficaz para reduzir os níveis de hemoglobina glicada, especialmente em pessoas com diabetes tipo 2. Atividades que promovem o equilíbrio, como tai chi e ioga, são recomendadas para idosos, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

Com a crescente incidência de pré-diabetes no Brasil, é fundamental que a sociedade se una para apoiar iniciativas que promovam a saúde e a prevenção. Projetos que incentivem hábitos saudáveis e ofereçam suporte a pessoas diagnosticadas podem fazer uma diferença significativa na vida de muitos. A união da comunidade é essencial para enfrentar esse desafio e garantir um futuro mais saudável para todos.

Estadão
Quero ajudar

Leia mais

Teste simples de levantar da cadeira revela saúde funcional e riscos de envelhecimento acelerado
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Teste simples de levantar da cadeira revela saúde funcional e riscos de envelhecimento acelerado
News Card

Teste simples de levantar da cadeira pode indicar saúde funcional e risco de mortalidade em idosos. Dificuldades nesse movimento sinalizam problemas de saúde e longevidade.

Cientistas finlandeses descobrem bactéria intestinal que pode acelerar o desenvolvimento da doença de Parkinson
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Cientistas finlandeses descobrem bactéria intestinal que pode acelerar o desenvolvimento da doença de Parkinson
News Card

Cientistas da Finlândia descobriram a bactéria intestinal Desulfovibrio, ligada ao desenvolvimento da doença de Parkinson, sugerindo que tratamentos focados no intestino podem retardar os sintomas. A pesquisa, publicada na Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, revela que a presença dessa bactéria pode contribuir para o acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro, abrindo novas possibilidades terapêuticas.

Planos de saúde enfrentam críticas por atrasos em consultas e falta de especialistas em saúde mental
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Planos de saúde enfrentam críticas por atrasos em consultas e falta de especialistas em saúde mental
News Card

Planos de saúde devem cumprir prazos para consultas e exames, mas beneficiários, como Rosilene Moreira, enfrentam dificuldades, levando a um aumento nas reclamações à ANS. A situação exige atenção e ação.

Lara Guerra Lopes enfrenta trombose grave e busca apoio para custear tratamento em hospital particular
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Lara Guerra Lopes enfrenta trombose grave e busca apoio para custear tratamento em hospital particular
News Card

Lara Guerra Lopes, técnica em enfermagem e estudante de Educação Física, enfrenta uma grave trombose no seio cavernoso após um campeonato de CrossFit. Ela busca apoio financeiro para custear o tratamento em hospital particular.

PrEP se destaca como estratégia eficaz na prevenção do HIV entre populações vulneráveis no Brasil
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
PrEP se destaca como estratégia eficaz na prevenção do HIV entre populações vulneráveis no Brasil
News Card

Estudo internacional confirma alta adesão à PrEP no Brasil, reduzindo HIV em populações vulneráveis. A pesquisa, com mais de nove mil participantes, destaca a eficácia da PrEP e a necessidade de atenção a grupos jovens.

Consumo diário de bacon aumenta em 13% o risco de demência, alerta estudo da Harvard
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Consumo diário de bacon aumenta em 13% o risco de demência, alerta estudo da Harvard
News Card

Estudo da Fiocruz aponta que 10% das mortes no Brasil estão ligadas a ultraprocessados. Pesquisa de Harvard revela que bacon aumenta em 13% o risco de demência. Mudanças alimentares podem reduzir riscos.