Meio Ambiente

Preços exorbitantes de hospedagem em Belém ameaçam participação de países em desenvolvimento na COP30

A alta nos preços de hospedagem em Belém ameaça a participação de países pobres na COP30, levando a ONU a convocar uma reunião de emergência. Delegações enfrentam diárias de até US$ 700, inviabilizando sua presença.

Atualizado em
August 2, 2025
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Vista aérea da cidade de Belém no Pará, capital da COP30 no Brasil. — Foto: Rafa Neddermeyer/Cop30 Brasil

A COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, ocorrerá em Belém em novembro de 2025. No entanto, a participação de países com orçamento limitado está ameaçada devido à alta nos preços de hospedagem. Delegações que dispõem de apenas US$ 143 por dia enfrentam diárias que chegam a US$ 700, tornando inviável a presença desses países no evento. A ONU convocou uma reunião de emergência e 25 países, incluindo os mais vulneráveis ao clima, protestaram formalmente.

O governo do Pará, sob a liderança de Helder Barbalho, busca soluções para o problema, mas admite que não pode interferir nos preços praticados. A situação é crítica, pois a falta de opções acessíveis pode resultar na exclusão de nações que são as mais afetadas pelas mudanças climáticas. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou que a ausência dos países mais pobres comprometeria a legitimidade da conferência.

As organizações civis e ambientais também expressam preocupação com a exclusão de vozes importantes no debate. Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, alertou que a diminuição das delegações pode levar à contestação das resoluções da conferência. O governo do Pará anunciou a construção de novos hotéis e a adaptação de escolas para receber visitantes, mas as ofertas ainda não atendem às necessidades financeiras das delegações.

Uma plataforma criada para disponibilizar hospedagens a preços acessíveis não apresenta opções que se encaixem no orçamento dos países em desenvolvimento. A média de preços está acima de US$ 300, enquanto as delegações buscam diárias limitadas a US$ 70. A consultora Vanessa Robinson, que auxilia ONGs, relatou que os altos preços têm dificultado a participação de grupos de diversos países, incluindo nações desenvolvidas.

O Instituto Perifa Sustentável, que planejava levar representantes de comunidades vulneráveis para a COP30, também enfrenta dificuldades. A co-fundadora Mahryan Sampaio mencionou que as propostas de hospedagem são exorbitantes, colocando em risco a meta de uma conferência participativa. A falta de diálogo entre o poder público e a comunidade local é vista como um fator que contribui para a crise de hospedagem.

O governo do Pará reafirma seu compromisso em ampliar a oferta de hospedagem, mas a situação atual exige ação imediata. A união da sociedade civil pode ser fundamental para garantir que as vozes dos menos favorecidos sejam ouvidas na COP30. Projetos que visem apoiar a participação de delegações e organizações civis são essenciais para assegurar um debate inclusivo e representativo.

G1 - Meio Ambiente
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