Meio Ambiente

Produtor rural transforma seu sítio em exemplo de restauração ecológica e recuperação de nascentes em Minas Gerais

Pedro Martins de Souza, aos 78 anos, reflorestou sua propriedade em Minas Gerais, aumentando água e renda. A iniciativa, apoiada pelo Instituto Terra, inspirou outros produtores e recuperou nascentes na região.

Atualizado em
April 22, 2025
Clock Icon
4
min
Funcionários no viveiro de mudas de espécies nativas do Instituto Terra: recuperação de nascentes já beneficiou 1,1 mil pequenas e médias propriedades — Foto: Gabriel Reis/Valor

Aos 78 anos, o produtor rural Pedro Martins de Souza tomou a decisão de reflorestar sua propriedade em Taparuba, Minas Gerais, há quase 15 anos. Essa escolha, inicialmente difícil, foi apoiada por seus filhos, que perceberam que plantar árvores poderia resolver a secura do solo, prejudicial à plantação. Sérgio Martins de Souza, um de seus filhos, relata que, após o início do reflorestamento, a água para o gado deixou de ser um problema, permitindo até a irrigação.

A inspiração para a restauração veio de um programa de televisão, mas foi o suporte técnico do Instituto Terra que possibilitou a recuperação das nascentes na propriedade. Fundado em 1998 por Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado, o Instituto Terra promove a “restauração ecossistêmica”, tendo restaurado mais de 600 hectares em sua própria fazenda e expandido suas ações para propriedades vizinhas ao longo dos anos.

O programa Olhos D’Água, iniciado em 2010, visa apoiar proprietários rurais na recuperação de florestas nas áreas de nascentes, resultando na recuperação de cerca de duas mil nascentes e beneficiando mais de mil pequenas e médias propriedades. O projeto exigiu o plantio de mais de sete milhões de mudas, e Pedro foi um dos pioneiros na região, tornando sua propriedade um exemplo de sucesso em restauração.

Atualmente, a propriedade de Pedro recebe visitas de estudantes, que aprendem sobre a importância da restauração ambiental. Os filhos de Pedro também se beneficiaram, com o volume de água dobrando e a renda aumentando. Sérgio, por exemplo, plantou cacau e diversas frutas em seu sítio, criando um sistema agroflorestal que já proporciona colheitas em pouco tempo, aumentando a diversidade e a renda.

Nos últimos anos, o Instituto Terra começou a explorar sistemas agroflorestais e silvipastoris, que integram a pecuária com o plantio de árvores. Essa abordagem visa aumentar a fertilidade do solo e a capacidade de suporte do pasto, permitindo que os produtores aumentem a quantidade de gado por hectare. O custo de implementação é considerado baixo, mas a mudança cultural é o maior desafio.

O Instituto Terra, em parceria com diversas instituições, busca identificar cadeias produtivas promissoras na região, visando o retorno financeiro e mecanismos de financiamento. Projetos como o de Pedro Martins de Souza demonstram como a união e o engajamento da comunidade podem transformar realidades. A mobilização em torno de iniciativas de restauração e agroecologia pode ser um caminho para fortalecer a economia local e promover a sustentabilidade.

Valor Econômico
Quero ajudar

Leia mais

"Descubra destinos brasileiros que aliam turismo responsável e sustentabilidade"
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
"Descubra destinos brasileiros que aliam turismo responsável e sustentabilidade"
News Card

Com o aumento das temperaturas e as mudanças climáticas, o turismo sustentável ganha destaque no Brasil, com destinos como Bonito, Alter do Chão e Fernando de Noronha promovendo práticas responsáveis. Essas iniciativas visam preservar o meio ambiente e fortalecer a economia local, garantindo que a experiência do viajante beneficie as comunidades.

Bombeiros do Rio de Janeiro controlam incêndio em Vargem Grande após intensa operação de nove horas
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Bombeiros do Rio de Janeiro controlam incêndio em Vargem Grande após intensa operação de nove horas
News Card

Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro combateu incêndio em Vargem Grande por nove horas, utilizando drones para monitoramento. Não houve vítimas, mas os ventos de até 70 km/h dificultaram a operação.

Conferência FAPESP 2025 discute transição energética com Thelma Krug e especialistas em São Paulo
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Conferência FAPESP 2025 discute transição energética com Thelma Krug e especialistas em São Paulo
News Card

A série Conferências FAPESP 2025 retoma com a temática "Transição Energética", liderada por Thelma Krug, visando contribuir para a COP30 em Belém. O evento ocorrerá em 30 de maio, das 10h às 12h.

Green Zone da COP30 em Belém: preços de participação variam de 1 250 a 1 500 dólares por metro quadrado
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Green Zone da COP30 em Belém: preços de participação variam de 1 250 a 1 500 dólares por metro quadrado
News Card

A COP30, que ocorrerá em Belém, já divulgou os preços da Green Zone, variando de $ 1.250 a $ 1.500 por metro quadrado. O evento contará com a presença do Papa Leone XIV, que destaca a urgência climática.

Manguezais do Rio de Janeiro avançam 300 metros devido à elevação do nível do mar e emergência climática
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Manguezais do Rio de Janeiro avançam 300 metros devido à elevação do nível do mar e emergência climática
News Card

Manguezais da Reserva Biológica de Guaratiba, no Rio de Janeiro, estão se deslocando 300 metros para o interior devido à elevação do nível do mar, conforme pesquisa do NEMA/Uerj. Essa mudança gera preocupações sobre a perda de serviços ecossistêmicos essenciais, como a proteção contra inundações e a regulação do clima.

Cúpula da ONU sobre os oceanos busca compromissos para proteger a biodiversidade marinha em meio a crises ambientais
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Cúpula da ONU sobre os oceanos busca compromissos para proteger a biodiversidade marinha em meio a crises ambientais
News Card

A III Conferência da ONU sobre os Oceanos, que inicia em 9 de junho em Nice, França, visa compromissos para a proteção marinha, mas ONGs criticam a Declaração de Nice como insuficiente. A exploração oceânica é crucial, pois apenas 26,1% do fundo do mar foi mapeado, e 95% da biosfera está nas profundezas.