Saúde e Ciência

Ptofobia: o medo de cair que limita a vida de idosos e aumenta o risco de quedas

Cerca de 40% a 70% dos idosos que já caíram desenvolvem ptofobia, um medo intenso de cair, que limita suas atividades e aumenta o risco de novas quedas, exigindo atenção médica e intervenções adequadas.

Atualizado em
May 27, 2025
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Medo intenso de cair pode prejudicar a qualidade de vida do idoso e precisa ser tratado Foto: Visualmind/Adobe Stock

Estudos recentes revelam que um em cada três idosos no mundo enfrenta o risco de quedas anuais, uma realidade que se torna cada vez mais evidente nas conversas familiares e nas clínicas geriátricas. As consequências físicas, como arranhões e fraturas, são apenas uma parte do problema. Um aspecto menos visível, mas igualmente preocupante, é a ptofobia, que afeta entre 40% e 70% dos idosos que já sofreram quedas. Essa condição gera um ciclo de inatividade que aumenta ainda mais o risco de novas quedas.

A ptofobia, que se origina das palavras gregas para "queda" e "medo", foi identificada na década de 1980 por geriatras da Universidade de Birmingham. A síndrome se caracteriza por um medo intenso de ficar em pé ou andar, mesmo quando não há comprometimento físico que justifique essa preocupação. Segundo a fisioterapeuta Flávia Moura Malini Drummond, essa restrição é desproporcional à condição física do idoso, levando à perda de força muscular e descondicionamento.

Além disso, a ptofobia se manifesta com mais frequência em idosos que enfrentam problemas psiquiátricos, como ansiedade e depressão. A fisioterapeuta destaca que a preocupação excessiva é um fator determinante para o desenvolvimento desse medo. Indivíduos com baixa resiliência e que não conseguem adaptar suas atividades ao envelhecimento também estão mais suscetíveis à ptofobia, resultando em uma mentalidade que torna o movimento uma atividade perigosa.

A identificação da ptofobia é um desafio para os profissionais de saúde, que precisam distinguir entre a preocupação normal com quedas e o medo patológico. A preocupação pode ser uma estratégia de proteção, mas a ptofobia é caracterizada por uma desproporção entre a capacidade física e o medo de cair. A experiência de quedas anteriores, mesmo que sem fraturas graves, pode intensificar esse medo, levando a um estado de paralisia e ansiedade.

Os especialistas sugerem duas abordagens para tratar a ptofobia: encaminhamento para um psiquiatra, que pode avaliar a necessidade de medicação, e orientação educacional sobre o risco de quedas. A Organização Mundial da Saúde define quedas como deslocamentos não intencionais do corpo, e a conscientização sobre isso é fundamental. Além disso, um treino multimodal que inclua exercícios de equilíbrio e resistência pode ser benéfico para os idosos.

A experiência de idosos que enfrentam a ptofobia, como a aposentada Miriam Lúcia Gonçalves Evsukoff, ilustra a importância da fisioterapia na recuperação e na superação do medo. A união da sociedade civil pode ser crucial para apoiar iniciativas que ajudem a melhorar a qualidade de vida dos idosos, promovendo a saúde e a segurança em suas atividades diárias. Projetos que visem a reabilitação e a conscientização sobre a ptofobia podem fazer a diferença na vida de muitos.

Estadão
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