Impacto Social

PUC-SP encerra ocupação após acordo com estudantes e avança em pautas antirracistas e melhorias sociais

A PUC-SP encerrou a ocupação do Campus Monte Alegre após atender demandas de letramento racial e melhorias no restaurante universitário, mas não aceitou a redução das mensalidades. O movimento, liderado pelo coletivo Saravá, denunciou racismo e outras questões sociais.

Atualizado em
May 27, 2025
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'Cadeiraço' na PUC-SP (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo), nesta terça-feira (20) - Divulgação/ Saravá

A PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) chegou a um acordo com os estudantes e encerrou a ocupação do Campus Monte Alegre, que durou oito dias. O movimento foi iniciado para denunciar casos de racismo e expandiu suas pautas para outras questões sociais. Em uma reunião realizada na terça-feira, a reitoria e a mantenedora da universidade atenderam várias demandas dos alunos, incluindo a implementação de letramento racial para funcionários e melhorias no restaurante universitário.

Entre as demandas atendidas, estão a apuração rigorosa de atos discriminatórios e reformas curriculares com viés antirracista. Além disso, foi garantida a expansão da bolsa alimentação e a oferta de duas refeições diárias gratuitas para os bolsistas. No entanto, a solicitação de redução das mensalidades não foi aceita pela instituição.

A PUC-SP destacou, em nota, que desde o início das manifestações, estabeleceu um diálogo contínuo com os alunos e garantiu a continuidade das atividades acadêmicas e administrativas. A reitoria enfatizou o respeito ao direito de manifestação e se opôs ao uso de força policial no campus, mesmo após a Justiça de São Paulo ter autorizado a reintegração de posse.

O movimento foi liderado pelo coletivo Saravá, que representa alunos negros e que exigiu ações concretas contra discriminação dentro da universidade. Relatos de estudantes indicam que, nos últimos anos, houve um aumento significativo de casos de abuso e preconceito, sem respostas efetivas da instituição. O Saravá recebeu diversas denúncias anônimas sobre estigmatização e racismo velado enfrentados por alunos, especialmente aqueles que são negros e bolsistas.

Um dos relatos mais impactantes foi de uma aluna que, após ser acusada de roubo por uma professora, enfrentou uma série de dificuldades para resolver a situação. Apesar de ter registrado um boletim de ocorrência por injúria racial, a aluna se viu obrigada a continuar tendo aulas com a docente envolvida, que não foi demitida devido ao seu longo tempo de serviço na instituição.

Essas situações evidenciam a necessidade de um ambiente acadêmico mais inclusivo e respeitoso. A união da comunidade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a igualdade e a justiça social. Projetos que visem a melhoria das condições para todos os estudantes devem ser incentivados e apoiados pela sociedade civil.

Folha de São Paulo
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