Impacto Social

Regulamentações sobre alimentos ultraprocessados em escolas melhoram a alimentação de crianças e adolescentes

Leis que proíbem produtos ultraprocessados em escolas melhoraram a alimentação de crianças, segundo estudo da Fiocruz e universidades. Cidades com regulamentações apresentaram melhor Índice de Saudabilidade.

Atualizado em
July 29, 2025
Clock Icon
4
min
Alimentação baseada em produtos ultraprocessados favorece obesidade e apresenta riscos à saúde - Eduardo Knapp - 21.mai.25/Folhapress

Leis que proíbem a venda de produtos ultraprocessados em escolas têm mostrado resultados positivos na qualidade da alimentação de crianças e adolescentes. Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e universidades federais revelou que cidades com regulamentações específicas apresentaram um melhor Índice de Saudabilidade, refletindo a redução na comercialização desses produtos nas cantinas escolares.

A pesquisa, que abrangeu escolas privadas em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Niterói, analisou a qualidade alimentar entre 2022 e 2025. Em Porto Alegre, já existia uma regulamentação estadual antes do início do estudo, enquanto no Rio de Janeiro e Niterói, leis municipais foram sancionadas em 2023. Recife, por outro lado, não possui restrições à venda de ultraprocessados nas escolas.

Os resultados mostraram que as cidades com regulamentações obtiveram melhores pontuações no Índice de Saudabilidade, que avalia a qualidade da alimentação. A pesquisa focou em cerca de 200 cantinas de escolas privadas, considerando a presença de 50 tipos de alimentos, sendo 29 ultraprocessados e 21 in natura ou minimamente processados. A professora de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Laís Botelho, destacou que o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) oferece refeições saudáveis, mas não proíbe totalmente a comercialização de ultraprocessados.

Em 2022, Porto Alegre liderou o Índice de Saudabilidade com pontuação de 68,9, seguida por Recife, Rio de Janeiro e Niterói. Na segunda coleta, entre 2023 e 2024, os índices de Rio de Janeiro e Niterói aumentaram, enquanto Porto Alegre e Recife apresentaram quedas. A falta de fiscalização foi apontada como um fator que contribuiu para a redução da pontuação em Porto Alegre, onde a pontuação caiu para 61,06.

A última análise, realizada em 2025, revelou que o Índice de Porto Alegre foi de 59,03, Niterói 50,89 e Recife 49,57. A professora Juliana Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), observou que desigualdades sociais impactam a qualidade da alimentação, especialmente em escolas em situação de vulnerabilidade. Em Recife, o refrigerante foi um dos ultraprocessados mais vendidos, presente em mais de 82% das escolas analisadas.

Iniciativas como a do Colégio La Salle Abel, em Niterói, mostram que é possível oferecer opções mais saudáveis, como coxinhas assadas em vez de fritas. Essas mudanças são essenciais para promover uma alimentação mais saudável nas escolas. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar projetos que visem melhorar a qualidade alimentar nas instituições de ensino, garantindo que todas as crianças tenham acesso a uma alimentação saudável e nutritiva.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Professor do CAP UFRJ denuncia racismo recreativo após alunos zombarem de seu cabelo e intimidarem a direção
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Professor do CAP UFRJ denuncia racismo recreativo após alunos zombarem de seu cabelo e intimidarem a direção
News Card

Professor de música do CAP UFRJ foi alvo de racismo recreativo por alunos, resultando em suspensão e novas intimidações. A situação gerou protestos e denúncias à Polícia Federal.

Educação midiática se torna prioridade no Brasil com apoio de especialistas da Finlândia e Alemanha
Impacto Social
Clock Icon
4
min
Educação midiática se torna prioridade no Brasil com apoio de especialistas da Finlândia e Alemanha
News Card

Especialistas discutem a importância da Educação Midiática no Brasil, destacando sua relevância em tempos de desinformação e a necessidade de políticas públicas para formar educadores. A experiência de países como Finlândia e Alemanha serve de inspiração.

"Sobrevivente de AVC compartilha experiência transformadora e alerta sobre a importância da saúde"
Impacto Social
Clock Icon
3
min
"Sobrevivente de AVC compartilha experiência transformadora e alerta sobre a importância da saúde"
News Card

Joyce Brito, cabeleireira de Manaus, sobreviveu a um AVC hemorrágico e compartilha sua história como alerta sobre saúde e autocuidado. Após 39 dias de internação, ela enfrenta sequelas, mas busca inspirar outros.

Desigualdade econômica acelera envelhecimento biológico em crianças, aponta estudo do Imperial College London
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Desigualdade econômica acelera envelhecimento biológico em crianças, aponta estudo do Imperial College London
News Card

Estudo do Imperial College London revela que crianças de famílias de baixa renda apresentam telômeros mais curtos, indicando envelhecimento biológico acelerado e maior risco de doenças crônicas. A pesquisa, com mais de mil crianças europeias, destaca a urgência de políticas públicas para reduzir desigualdades desde a infância.

Campanha Junho Vermelho busca aumentar a conscientização sobre a doação de sangue no Brasil
Impacto Social
Clock Icon
4
min
Campanha Junho Vermelho busca aumentar a conscientização sobre a doação de sangue no Brasil
News Card

Apenas 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente, e a desinformação é um dos principais fatores. A médica hematologista Camila Gonzaga esclareceu mitos e dúvidas sobre a doação, destacando sua importância.

A ausência paterna e seu impacto na pobreza: uma reflexão sobre a estrutura familiar brasileira
Impacto Social
Clock Icon
3
min
A ausência paterna e seu impacto na pobreza: uma reflexão sobre a estrutura familiar brasileira
News Card

O livro "O Privilégio dos Dois Pais", de Melissa S. Kearney, revela a vulnerabilidade de crianças em famílias monoparentais, destacando a ausência paterna nas políticas sociais brasileiras. A pesquisa mostra que três quartos das crianças de baixa renda vivem com mães solo, evidenciando a necessidade de políticas sociais que abordem essa escassez.