Meio Ambiente

Sebastião Salgado deixa legado poderoso para a defesa dos povos originários e o fotojornalismo no Brasil

Sebastião Salgado, fotógrafo e defensor dos povos indígenas, faleceu aos 81 anos, deixando um legado marcante na documentação das etnias brasileiras, especialmente os Ianomâmis. Sua expedição à Amazônia culminou na obra "Amazônia", que retrata a luta e a vida dos povos originários.

Atualizado em
May 23, 2025
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Registro de Sebastião Salgado da etnia ianomâmi, na Amazônia, em 2014 — Foto: Agência O Globo/Sebastião Salgado

O renomado fotógrafo Sebastião Salgado faleceu na última sexta-feira, aos 81 anos, deixando um legado marcante no fotojornalismo e na defesa dos povos indígenas. Sua trajetória inclui uma expedição ao território Ianomâmi, parte de um projeto que visava documentar a vida e as lutas das principais etnias indígenas do Brasil. A experiência foi registrada na obra "Amazônia", publicada em 2021, e reflete a importância de sua contribuição para a visibilidade das questões indígenas.

Em março de 2014, Salgado e o repórter Arnaldo Bloch realizaram uma travessia pelas terras ianomâmis, onde presenciaram uma festa fúnebre chamada reahu. O ritual, que homenageia um jovem caçador falecido, é repleto de simbolismo e práticas ancestrais, como a queima de objetos pessoais e a preservação das cinzas em urnas. A cerimônia, marcada por danças e invocações de espíritos, transformou a aldeia em um espaço de luto e celebração.

Durante a expedição, Salgado e Bloch observaram a vida cotidiana dos ianomâmis, que continuava vibrante mesmo em meio ao luto. As crianças brincavam, enquanto as mulheres preparavam alimentos tradicionais. No entanto, a presença de doenças como a gripe e a ameaça constante de exploração de suas terras evidenciam os desafios enfrentados por essas comunidades. O xamã Davi Kopenawa alertou sobre os perigos da destruição ambiental, ressaltando a conexão entre a saúde da terra e a sobrevivência do povo ianomâmi.

A expedição ao território Ianomâmi foi a culminação de um projeto iniciado em 2013, que incluiu visitas a outras etnias, como os Awás. Salgado, acompanhado por uma equipe de guias e assistentes, buscou registrar a relação espiritual dos indígenas com seu território ancestral, especialmente em áreas ameaçadas pela mineração ilegal e pela presença de missões religiosas.

A obra "Amazônia" reúne as fotografias e relatos das experiências vividas por Salgado e sua equipe, destacando a urgência da proteção dos povos originários e de suas terras. O trabalho de Salgado não apenas documenta a realidade dessas comunidades, mas também serve como um chamado à ação para a sociedade civil em prol da preservação cultural e ambiental.

O legado de Sebastião Salgado nos inspira a refletir sobre a importância de apoiar iniciativas que promovam a proteção dos povos indígenas e suas culturas. Em momentos como este, a união da sociedade pode fazer a diferença, ajudando a garantir que as vozes dos menos favorecidos sejam ouvidas e respeitadas.

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