Meio Ambiente

Temperaturas globais alcançam máximas históricas em março, evidenciando a crise climática em curso

Temperaturas globais atingem recordes históricos em março de 2023, com Europa enfrentando anomalias de 1,6 °C. Cientistas alertam para eventos climáticos extremos em decorrência do aquecimento.

Atualizado em
April 10, 2025
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Algumas partes da Europa tiveram chuvas extremas, enquanto outras experimentaram condições de seca recordes — Foto: AFP

Em março de 2023, as temperaturas globais atingiram níveis recordes, conforme relatado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. Este mês foi o mais quente já registrado na Europa, com anomalias de 1,6 °C acima dos níveis pré-industriais. O fenômeno desafia explicações científicas e intensifica eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas, em um continente que se aquece mais rapidamente que outros.

O Copernicus destacou que março de 2023 foi 1,6 °C mais quente que os níveis pré-industriais, prolongando uma série de temperaturas recordes que começou em julho de 2023. A cientista Friederike Otto, do Instituto Grantham, enfatizou que essa anomalia é notável e que estamos sob a influência das mudanças climáticas causadas pelo homem. Cientistas preveem que a série de temperaturas extremas pode diminuir após o pico do fenômeno El Niño, mas a persistência das altas temperaturas até 2025 é preocupante.

Robert Vautard, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), afirmou que a situação atual é excepcional, com temperaturas extremamente altas em todo o mundo. Cada fração de grau de aquecimento global aumenta a intensidade e a frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas. O aquecimento não se limita ao aumento das temperaturas, mas também resulta em um efeito cascata que afeta a atmosfera e os mares.

Na Europa, março de 2023 foi 0,26 °C mais quente que o recorde anterior, estabelecido em 2014. Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, observou que algumas regiões enfrentaram o março mais seco em meio século, enquanto outras registraram o mais chuvoso. Bill McGuire, da University College London, destacou que esses extremos contrastantes demonstram como um clima desestabilizado resulta em eventos climáticos extremos mais frequentes e severos.

Além disso, cientistas relataram que as mudanças climáticas intensificaram uma onda de calor na Ásia Central e causaram chuvas extremas na Argentina, resultando em mortes. O aumento das temperaturas globais fez de 2023 e 2024 os anos mais quentes já registrados. O ano anterior também foi o primeiro a ultrapassar o limite de 1,5 °C, estabelecido no Acordo de Paris, embora essa violação não signifique um cruzamento permanente desse limite.

Os especialistas alertam que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global, mas fatores adicionais ainda precisam ser compreendidos. O Copernicus utiliza bilhões de medições para suas análises climáticas, que remontam a 1940. A situação atual pode ser a mais quente dos últimos 125 mil anos, e a união da sociedade civil pode ser crucial para apoiar iniciativas que busquem mitigar os efeitos das mudanças climáticas e ajudar as comunidades afetadas.

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