Impacto Social

"Tragédia na Indonésia revela os desafios enfrentados por mulheres negras viajantes no turismo global"

A morte de Juliana Marins, jovem brasileira, expõe os desafios enfrentados por mulheres negras em viagens, como racismo e machismo. Iniciativas como o Bitonga Travel buscam mudar essa realidade.

Atualizado em
July 10, 2025
Clock Icon
4
min
Rebecca Aletheia (à dir.) em viagem para Cuba com grupo da Bitonga Tour, fundada por ela - Acervo Pessoal

A morte de Juliana Marins, uma jovem brasileira de 26 anos, em uma trilha na Indonésia, expôs as dificuldades enfrentadas por mulheres que viajam, especialmente as negras. Rebecca Aletheia, empreendedora e autora, compartilha sua experiência, afirmando que já foi deixada para trás em viagens por pessoas brancas. Denise dos Santos Rodrigues, doutoranda em sociologia na Universidade de São Paulo, destaca que Juliana desafiou as normas sociais, sendo uma mulher negra que buscou realizar seus sonhos.

Aletheia observa que a sociedade ainda impõe a ideia de que o lugar da mulher negra é o trabalho. Além do machismo, as mulheres negras que viajam enfrentam o racismo. Rodrigues, que pesquisa a cultura negra no turismo em São Paulo, afirma que a percepção racial é imediata em qualquer destino, o que altera a experiência de viagem. Ela relata um episódio na Turquia, onde foi abordada por adolescentes que queriam tirar uma foto com ela, o que só entendeu como racismo anos depois.

A jornalista Amanda Costa, em Buenos Aires, também vivenciou uma situação de racismo. Ao ser impedida de tirar fotos em um ponto turístico, percebeu que era a única pessoa negra no local. Essas experiências revelam que, frequentemente, as mulheres negras não são reconhecidas como turistas e são vistas como prestadoras de serviço. Rodrigues enfatiza que o turismo ainda é elitista e que as mulheres negras são minoria entre os viajantes.

Rodrigues explica que as mulheres negras, muitas vezes, têm os menores salários e priorizam o sustento familiar, o que torna o turismo um sonho distante. Para mudar essa realidade, Aletheia fundou o coletivo Bitonga Travel, que promove viagens para mulheres negras, focando em destinos pouco explorados, como países africanos. A agência busca resgatar narrativas da população negra, que frequentemente são ignoradas na história do turismo.

A pesquisa de Thainá Souza Santos, da Universidade de São Paulo, revela que pessoas brancas representam 54,37% das viagens nacionais a lazer, enquanto negros correspondem a 44%. Rodrigues destaca a necessidade de mais dados sobre a relação entre raça e turismo, pois esses fatores são cruciais para o planejamento do setor. A falta de representatividade e a exclusão social ainda são desafios significativos para as mulheres negras que desejam viajar.

Iniciativas como a de Aletheia são essenciais para promover a inclusão e a diversidade no turismo. A união da sociedade civil pode ser um passo importante para apoiar projetos que visem a valorização das experiências de mulheres negras em viagens. Essa mobilização pode ajudar a transformar o cenário atual, garantindo que todas as mulheres tenham acesso ao turismo como um direito e uma oportunidade de crescimento pessoal.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

"Família é quem ama: a emocionante jornada de dois pais e sua filha adotiva em busca de um lar"
Impacto Social
Clock Icon
3
min
"Família é quem ama: a emocionante jornada de dois pais e sua filha adotiva em busca de um lar"
News Card

Gabriel e Vinicius Repullo compartilham sua jornada de adoção de Emylly, ressaltando os desafios e a construção de uma família amorosa, destacando a importância da aceitação e visibilidade. A história reflete o amor que transcende laços biológicos e a necessidade de apoio social para casais homoafetivos.

Casa do Pandeiro é inaugurada no Rio com exposição sobre a história e inovação do instrumento musical
Impacto Social
Clock Icon
4
min
Casa do Pandeiro é inaugurada no Rio com exposição sobre a história e inovação do instrumento musical
News Card

Clarice Magalhães inaugura a Casa do Pandeiro no Rio de Janeiro, um espaço cultural dedicado ao pandeiro, com a exposição "Pandeiros do Brasil: história, tradição, inovação", celebrando a diversidade do instrumento.

Isolamento social pode agravar transtornos emocionais, revela estudo da PUC-RJ sobre ansiedade e depressão
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Isolamento social pode agravar transtornos emocionais, revela estudo da PUC-RJ sobre ansiedade e depressão
News Card

Estudo da PUC-RJ revela que o isolamento social pode beneficiar ratos ansiosos temporariamente, mas prejudica os menos ansiosos. Pesquisadores alertam que essa não é uma solução saudável a longo prazo.

Corpo manifesto: exposição de Sérgio Adriano H provoca reflexões sobre negritude e racismo no Brasil
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Corpo manifesto: exposição de Sérgio Adriano H provoca reflexões sobre negritude e racismo no Brasil
News Card

A exposição "Corpo manifesto", de Sérgio Adriano H, no CCBB, reúne 113 obras, incluindo 33 inéditas, e reflete sobre racismo e a identidade negra, celebrando 25 anos de carreira do artista. Visitas guiadas acontecem hoje e amanhã.

Governo federal implementa monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas na Lei Maria da Penha
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Governo federal implementa monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas na Lei Maria da Penha
News Card

O governo federal sancionou alterações na Lei Maria da Penha, incluindo monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas e aumento de penas para violência psicológica. Essas medidas visam fortalecer os direitos das mulheres.

SP por Todas é selecionado para shortlist do Cannes Lions 2025 com projeto de proteção às mulheres
Impacto Social
Clock Icon
4
min
SP por Todas é selecionado para shortlist do Cannes Lions 2025 com projeto de proteção às mulheres
News Card

O projeto "Her Dome", parte do movimento SP por Todas, foi selecionado para o shortlist do Cannes Lions 2025, destacando soluções digitais para mulheres em situação de violência. A iniciativa, desenvolvida pela DPZ, inclui o aplicativo SP Mulher Segura e ações de proteção, contribuindo para a redução de feminicídios em São Paulo.