Impacto Social

Tucupi preto: a iguaria indígena que resgata saberes tradicionais e conquista a gastronomia brasileira

Mulheres indígenas das etnias Wapichana e Macuxi impulsionam o projeto Tucupi Preto, valorizando saberes tradicionais e gerando renda com o molho amazônico em eventos gastronômicos. A iniciativa promove a cultura local e a preservação ambiental.

Atualizado em
June 13, 2025
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Divulgação

O tucupi preto, um molho tradicional da culinária indígena amazônica, tem ganhado destaque na gastronomia brasileira. Produzido a partir da mandioca brava, esse ingrediente é utilizado por comunidades indígenas de Roraima, como os povos Wapichana e Macuxi. Recentemente, o projeto Tucupi Preto, liderado por mulheres indígenas, tem promovido a valorização cultural e gerado renda, ao mesmo tempo em que preserva saberes ancestrais.

O tucupi preto, conhecido como Kanyzzy Pudidi’u na língua Wapichana, é caracterizado por seu aroma intenso, sabor doce e coloração escura. Na Terra Indígena Tabalascada, esse molho é utilizado para preparar o tradicional caldo “damurida”, que combina peixe, aves, carnes e pimenta. A iniciativa de valorização do tucupi preto tem atraído a atenção de chefs renomados, que o incorporam em seus pratos.

O agricultor indígena Marcolino Silva, do povo Wapichana, destaca que o projeto surgiu da observação da cadeia produtiva e do potencial do tucupi, que antes era descartado. Ele enfatiza a importância de dar continuidade ao conhecimento tradicional e de fortalecer o trabalho coletivo, especialmente entre as novas gerações. A associação criada em 2017, coordenada por Mickelly Pereira, tem incentivado a produção de mandioca e a culinária local.

O tucupi preto tem gerado renda para as famílias da comunidade, com a venda de garrafas a R$ 40,00. Os recursos são revertidos para a construção da Casa da Mandioca, que irá oferecer diversos produtos derivados da mandioca. Mickelly Pereira ressalta que, embora o projeto avance lentamente, ele já está movimentando a economia local, com o produto sendo enviado para estados como Pará e São Paulo.

A atuação das mulheres na comunidade é fundamental, segundo o tuxaua Cesar da Silva. Elas têm se destacado na produção de alimentos e na organização social, fortalecendo laços familiares e comunitários. O tucupi preto é comercializado em festivais e eventos, e as lideranças buscam expandir sua presença em mercados, com planos de aprimorar a embalagem do produto.

O tucupi preto, que já é comparado a molhos como o aceto balsâmico, está se tornando um símbolo da culinária indígena. A chef Flávia Masiero, por exemplo, apresentou o ingrediente em um concurso de chefs, destacando sua complexidade de sabores. Projetos como o Tucupi Preto merecem apoio da sociedade civil, pois podem contribuir para a preservação da cultura indígena e a valorização de saberes tradicionais.

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