Socioambiental

Tutores no DF enfrentam luto e dificuldades na destinação de restos mortais de animais de estimação

No Distrito Federal, a falta de opções públicas para a destinação de restos mortais de animais de estimação gera dificuldades emocionais e financeiras para tutores. Um projeto de lei busca regulamentar a cremação e sepultamento.

Atualizado em
July 17, 2025
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Rose Alves optou pela cremação e preferiu não ficar com as cinzas da poodle Patty - (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)

Com a perda de um animal de estimação, os tutores no Distrito Federal enfrentam o luto e a dificuldade de encontrar serviços adequados para a destinação dos restos mortais. Atualmente, não existem opções públicas disponíveis, o que torna esses serviços financeiramente inacessíveis para muitos. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD) de 2024, 55% dos lares na região possuem pelo menos um pet, evidenciando a necessidade de alternativas para uma despedida respeitosa.

A psicóloga clínica Sandy Luiza destaca a importância de validar o luto, afirmando que "a despedida é essencial para a saúde emocional dos tutores". Exemplos de como lidar com a perda incluem a experiência de Carol Felix, que após a morte de sua cachorrinha Susy, utilizou parte das cinzas para plantar uma árvore. Essa prática simbólica ajuda a transformar a saudade em algo positivo.

O custo emocional da perda de um animal é significativo. Rose Alves, que perdeu sua poodle Patty, optou pela cremação, mas não conseguiu acompanhar o processo devido ao seu estado emocional. A Gerência de Vigilância Ambiental do DF informou que não oferece subsídios para o recolhimento de animais mortos, limitando-se a coletar apenas algumas espécies que transmitem doenças.

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) é responsável pelo recolhimento de animais mortos nas vias públicas, tendo coletado 19 toneladas de janeiro a março deste ano. A bióloga Angélica Yousef alerta que o descarte inadequado de restos mortais em aterros sanitários pode representar riscos à saúde pública, devido à proliferação de bactérias durante a decomposição.

Atualmente, não há legislação específica no DF sobre a cremação e sepultamento de animais. Um projeto de lei, PL 842/2019, está em tramitação na Câmara Legislativa do DF, visando regulamentar esses procedimentos em cemitérios públicos e privados. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) concedeu licença a um empreendimento privado para a cremação de animais, mas não há autorização para cemitério de pets na região.

Os serviços de cremação disponíveis variam em preço, com opções coletivas e individuais. A modalidade coletiva custa entre R$ 350,00 e R$ 990,00, enquanto a individual varia de R$ 600,00 a R$ 1.350,00. Diante da crescente inclusão dos animais como membros da família, a sociedade civil deve se mobilizar para apoiar iniciativas que promovam a destinação adequada dos restos mortais, garantindo um tratamento digno para esses companheiros que tanto amamos.

Correio Braziliense
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