Impacto Social

Universidade de São Paulo revela índices alarmantes de saúde mental entre estudantes em pesquisa recente

Estudo da USP revela que a saúde mental de estudantes universitários está em níveis alarmantes, com 78% preocupados com emergências climáticas e 70% admitindo uso excessivo da internet. A pesquisa, apresentada no Simpósio Internacional sobre Saúde Mental, destaca a necessidade de políticas eficazes para melhorar o bem-estar acadêmico.

Atualizado em
August 21, 2025
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Pesquisa utilizou o 5-item Mental Health Inventory, que mede sintomas de ansiedade e depressão em uma escala de 0 a 100. A média internacional gira em torno de 65. Entre os alunos da USP, foi 47 (imagem: Cecília Bastos/USP Imagens)

Uma pesquisa realizada no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP) revelou índices alarmantes de saúde mental entre os estudantes, com resultados significativamente inferiores às médias internacionais. O estudo, conduzido pelo pesquisador Pedro Ambra, foi apresentado durante o Simpósio Internacional “Saúde Mental de Estudantes Universitários: Escutar, Aconselhar e Cuidar”. A pesquisa identificou que 78% dos alunos estão muito preocupados com emergências climáticas e 70% reconhecem o uso excessivo da internet como um fator prejudicial à saúde mental.

O levantamento, que recebeu 459 respostas, utilizou o 5-item Mental Health Inventory (MHI-5) para medir sintomas de ansiedade, depressão e bem-estar. A média obtida entre os alunos da USP foi de 47, bem abaixo da média internacional de 65. O estudo também explorou como marcadores sociais, como raça e renda, influenciam a experiência universitária, destacando que a saúde mental dos estudantes negros é particularmente afetada por fatores como preconceito e discriminação.

Ambra sugere que a experiência de estudantes negros pode ser impactada por um ambiente universitário que contrasta com suas origens, levando a um fenômeno conhecido como “racial battle fatigue”, que se refere ao estresse acumulado devido à exposição a microagressões. O estudo também revelou que estudantes negros mais jovens apresentaram melhores índices de saúde mental, enquanto os mais velhos mostraram queda significativa nas pontuações.

Além disso, a pesquisa confirmou que as mulheres negras relataram vínculos afetivos e acadêmicos com a universidade acima da média, indicando que a USP pode ter proporcionado um espaço de pertencimento para elas. O objetivo do estudo é embasar políticas que promovam a saúde mental e o sucesso acadêmico dos estudantes, em um contexto onde a demanda por serviços de saúde mental cresce rapidamente.

O simpósio contou com a presença de especialistas e gestores de diversas instituições de ensino superior, incluindo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O professor Chris Brownson, da Universidade do Texas em Austin, destacou que a crescente demanda por serviços de saúde mental é uma tendência global, mas que as respostas variam de acordo com o sistema de saúde de cada país.

Esses dados ressaltam a necessidade urgente de ações que promovam a saúde mental entre os estudantes universitários. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dessa população, contribuindo para um ambiente acadêmico mais saudável e inclusivo.

Agência FAPESP
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