Educação

Alfabetização inovadora: professora utiliza fubá para ensinar letras a aluno autista em atividade sensorial

Professora utiliza fubá para ensinar escrita a aluno autista, mostrando que texturas podem facilitar a alfabetização. A abordagem sensorial promove interesse e criatividade no aprendizado.

Atualizado em
July 2, 2025
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Quando se fala em alfabetização, a imagem mais comum é a de uma criança escrevendo com lápis em um caderno. No entanto, novas abordagens têm sido exploradas, especialmente para crianças com necessidades especiais. A professora Margarete Serpa, atuando em Contenda (PR), utilizou fubá para ensinar um aluno autista a escrever, demonstrando que texturas podem facilitar a alfabetização e a expressão.

No vídeo que viralizou nas redes sociais, um aluno autista, que não fala e tem nível 2 de suporte, explora letras escrevendo com os dedos no fubá. Margarete afirmou: “Nem sempre o primeiro passo é pegar o lápis… e tudo bem”. O aluno já reconhecia letras e números e escrevia seu nome com alfabeto móvel, mas não aceitava utilizar lápis ou canetas.

A pedagoga explicou que a escolha do fubá foi estratégica. A textura macia e seca desperta curiosidade e ativa os sentidos, facilitando a aproximação com a atividade. “Se a criança tem interesse por letras, traços e símbolos, o fubá pode funcionar como uma ponte”, disse Margarete, que começou com os dedos e, aos poucos, o aluno aceitou o uso do lápis.

Margarete enfatizou que essa técnica não substitui o uso de lápis e papel, mas pode ser uma etapa anterior ou complementar no processo de alfabetização. “Se a criança se expressa por ali, por que não usar? Pode ser numa bandeja com fubá, no chão com areia, no que estiver mais acessível. O importante é permitir que ela explore”, destacou.

Essa abordagem pode ser aplicada desde os primeiros anos de vida, tanto na escola quanto em casa. Quanto mais cedo o contato com texturas, mais a criança desenvolve curiosidade e criatividade. Margarete também ressaltou que cada caso exige adaptações, pois algumas crianças têm mais sensibilidade ao toque, mas também mais curiosidade.

Com mais de 20 anos de experiência, Margarete afirmou que o uso de materiais sensoriais sempre fez parte de sua prática, alinhando-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa forma de ensino, que envolve a criança, pode ser uma maneira eficaz de promover a alfabetização. Projetos que incentivam o uso de abordagens sensoriais devem ser apoiados pela sociedade civil, pois podem fazer uma diferença significativa na vida de crianças com necessidades especiais.

Globo.com
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