Meio Ambiente

Algas marinhas se destacam como solução inovadora para a crise alimentar e saúde intestinal global

O cultivo comercial de algas marinhas pode aliviar a pressão sobre a agricultura e melhorar a saúde intestinal, com empresas como a Oceanium desenvolvendo produtos inovadores para a saúde humana.

Atualizado em
July 28, 2025
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As algas podem colaborar para o aumento de fibras e nutrientes essenciais – que não costumam ser frequentes nas dietas ocidentais (Amr Alfiky/The New York Times)

As algas marinhas, amplamente utilizadas na culinária de países insulares, estão ganhando destaque na ciência devido ao seu potencial em suplementos alimentares, petiscos, alimentação animal e até na produção de bioplásticos. Pesquisas da Universidade de Queensland, do Instituto Internacional de Análises Aplicadas de Sistemas e da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth revelam que o cultivo comercial de algas pode aliviar a pressão sobre a agricultura, contribuindo para a crise global de alimentos.

Essas algas são ricas em fibras e nutrientes essenciais, frequentemente ausentes nas dietas ocidentais. Um estudo publicado na Science Direct aponta que a inclusão de algas na alimentação pode ajudar a combater inflamações intestinais crônicas e desequilíbrios na flora intestinal. As algas oferecem uma combinação de fibras como fucoidana, beta-glucana, alginato e celulose, que, ao serem fermentadas pelas bactérias intestinais, produzem lipídios de cadeia curta, benéficos para a sensibilidade à insulina e fortalecimento da imunidade.

No Reino Unido, a Oceanium, uma empresa de biotecnologia, já utiliza os benefícios das algas para melhorar a saúde intestinal, reduzindo a presença de organismos nocivos. Além disso, a empresa colabora com a Universidade de Wageningen em pesquisas que investigam o uso das algas na prevenção de demência, explorando a conexão entre o intestino e o cérebro.

O cultivo de algas não requer condições específicas, como terra, água doce ou fertilizantes, o que facilita sua produção. Além disso, as algas ajudam na absorção de dióxido de carbono (CO2) e nitrogênio, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas. No entanto, a aceitação do público ainda enfrenta desafios, especialmente em relação ao sabor e à textura das algas.

A infraestrutura para o processamento de algas no Ocidente ainda é incipiente, devido à falta de pesquisas aprofundadas. Refinar as algas para que sejam incorporadas em produtos já consumidos, como petiscos, sopas e barrinhas de proteína, pode aumentar a aceitação entre os consumidores, especialmente em receitas que apresentem sabor neutro.

Iniciativas que promovem o cultivo e a utilização de algas marinhas podem ter um impacto significativo na saúde pública e na sustentabilidade ambiental. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar projetos que visem a pesquisa e a aceitação de alimentos à base de algas, contribuindo para um futuro mais saudável e sustentável.

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