Socioambiental

Amazônia: bioeconomia pode gerar R$ 45 bilhões e 830 mil empregos até 2050, aponta estudo do WRI

Estudo do World Resources Institute revela que a bioeconomia na Amazônia pode adicionar R$ 45 bilhões ao PIB do Brasil e gerar 830 mil empregos até 2050, destacando a importância da biodiversidade e do conhecimento local.

Atualizado em
July 14, 2025
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Entre os produtos da floresta, estão alguns conhecidos e presentes nos lares brasileiros como açaí, castanha, cupuaçu, camu-camu, andiroba, copaíba e mel de abelhas nativas (Paulo Amorim/Getty Images)

A Amazônia, além de ser um importante aliado na conservação ambiental e no combate às mudanças climáticas, representa uma significativa oportunidade econômica. Um estudo recente do World Resources Institute (WRI) aponta que a bioeconomia na região pode contribuir com R$ 45 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar cerca de 830 mil empregos até 2050. Essa pesquisa, que envolveu mais de setenta pesquisadores, abrange os nove países que compõem a Amazônia: Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

O estudo enfatiza que o desenvolvimento sustentável da Amazônia depende da valorização da biodiversidade local e do conhecimento tradicional das comunidades. Produtos como açaí, castanha, cupuaçu, camu-camu, andiroba, copaíba e mel de abelhas nativas são exemplos de riquezas que podem ser exploradas de forma sustentável. Para viabilizar esse potencial, foi criada a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, que reúne comunidades indígenas e investidores, já mapeando mais de 1.500 projetos na região.

Um exemplo prático é a iniciativa Agrosolidaria Florencia, na Colômbia, que se dedica à comercialização de produtos agrícolas e cosméticos feitos com plantas nativas cultivadas de maneira sustentável. A empresa opera a maior planta de processamento da Amazônia colombiana, equilibrando produtividade e sustentabilidade. Rachel Biderman, vice-presidente sênior das Américas da Conservação Internacional, ressalta que investir em cadeias sustentáveis e no protagonismo indígena é fundamental para criar resiliência climática e oportunidades para os povos amazônicos.

Entre os dias 15 e 17 de julho, a cidade colombiana de Letícia sediará um fórum da rede, com o objetivo de impulsionar uma agenda comum. Joaquín Carrizosa, assessor sênior do WRI Colômbia, afirmou que o objetivo é que o modelo de bioeconomia seja reconhecido como um setor econômico relevante até 2035. Com a COP30 se aproximando, a bioeconomia se destaca como uma solução viável para a crise climática, promovendo justiça social e proteção da biodiversidade.

Outro estudo recente indicou que a bioeconomia no Pará pode gerar R$ 816 milhões ao PIB estadual, apontando a necessidade de um investimento de R$ 720 milhões em treze cadeias da sociobiodiversidade. Apesar do potencial, desafios como a falta de marcos regulatórios, investimentos em infraestrutura e capacitação técnica ainda precisam ser superados. No entanto, o crescente interesse de investidores internacionais e o apoio de organismos multilaterais criam um cenário favorável para o desenvolvimento do setor.

É essencial que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que promovam a bioeconomia na Amazônia. A união em torno de projetos que valorizem a biodiversidade e o conhecimento local pode transformar a realidade da região e beneficiar as comunidades que dela dependem. Juntos, podemos fazer a diferença e garantir um futuro mais sustentável para a Amazônia.

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