Meio Ambiente

Brasil busca fortalecer a bioeconomia e a pesquisa em biodiversidade para impulsionar desenvolvimento sustentável

O consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira sequenciou 23 genomas completos, destacando a bioeconomia como motor de desenvolvimento sustentável no Brasil. A união entre ciência e indústria é crucial para a Amazônia.

Atualizado em
August 4, 2025
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Consórcio sequenciou todo o código genético de 23 espécies de animais no Brasil, como a onça-pintada — Foto: Rogério Cunha de Paula/Divulgação

O Brasil possui uma legislação avançada sobre biodiversidade e conta com um número significativo de cientistas dedicados à área. No entanto, o país enfrenta desafios em termos de investimento e políticas públicas. É crucial que o governo identifique as barreiras que dificultam a alocação eficiente de capital privado e adote medidas para mitigar esses problemas, além de aumentar o financiamento público em pesquisa. O avanço dos estudos em biodiversidade pode ser um motor de crescimento para os mais de 20 milhões de habitantes da Amazônia.

A união entre ciência e desenvolvimento econômico no Brasil já mostrou resultados positivos, como na exploração agrícola do Cerrado, que se tornou um dos principais polos do agronegócio mundial. Na Amazônia, a ênfase deve ser na sustentabilidade. O consórcio Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), liderado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV), sequenciou 23 genomas completos de animais em dois anos, além de outros 720 de plantas e animais em diferentes níveis de resolução.

Alexandre Aleixo, líder do grupo de Genômica Ambiental do ITV, destaca que "a bioeconomia se faz como as camadas de um bolo", unindo conhecimento tradicional e ciência de ponta, além de estimular a indústria local e a formação de pessoas. Roberto Waack, cofundador da Coalizão Brasil, Clima, Floresta e Agricultura, enfatiza que o Brasil não está na periferia da pesquisa e que a valorização da natureza é crescente, com negócios cada vez mais dependentes de ativos naturais.

As indústrias farmacêutica e de cosméticos já utilizam matérias-primas provenientes das florestas e campos brasileiros. Por exemplo, o óleo de andiroba, extraído da Amazônia, possui propriedades anti-inflamatórias e é utilizado como repelente e hidratante. No Cerrado, a cagaita é reconhecida por suas propriedades antioxidantes, enquanto o coco da palmeira licuri, da Caatinga, fornece óleo para cosméticos. A uvaia, da Mata Atlântica, é estudada por suas propriedades terapêuticas.

A genômica e a proteômica, que estudam as proteínas de cada elemento, são fundamentais para entender a composição de cada objeto de estudo e desenvolver técnicas de melhoria das espécies. Um exemplo é o tucupi, extraído da mandioca-brava, cuja análise proteômica ajuda a selecionar microrganismos para garantir um produto homogêneo, atendendo às exigências do mercado. A exploração sustentável da biodiversidade é uma estratégia eficaz para preservar as florestas e melhorar a qualidade de vida da população.

Iniciativas como essas precisam de apoio da sociedade civil para prosperar. A união de esforços pode ser decisiva para garantir que a biodiversidade brasileira seja explorada de forma sustentável, beneficiando tanto a economia quanto a preservação ambiental. Projetos que promovem a pesquisa e a valorização dos recursos naturais podem ter um impacto significativo na vida das comunidades locais e na conservação do meio ambiente.

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