Meio Ambiente

Brasil enfrenta aumento alarmante de desastres relacionados a chuvas, afetando milhões e gerando bilhões em prejuízos

Desastres relacionados a chuvas no Brasil aumentaram 222% desde 2020, resultando em 4.247 mortes e R$ 146,7 bilhões em prejuízos. Estudo destaca a correlação com o aquecimento global e a urgência de medidas preventivas.

Atualizado em
July 1, 2025
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Enchente de Porto Alegre superou todos os recordes históricos de chuva, no ano passado — Foto: Gustavo Mansur/Secom-RS

O Brasil registrou, entre 1991 e 2023, um total de 26.767 desastres relacionados a chuvas, que afetaram aproximadamente 91 milhões de pessoas e resultaram em 4.247 mortes. Um estudo recente da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica revela que, desde 2020, os desastres aumentaram em 222%, com 7.539 ocorrências, em comparação com 2.335 na década de 1990. Os pesquisadores associam esse crescimento ao aquecimento global, destacando a urgência de medidas preventivas.

A pesquisa, intitulada “Temporadas das Águas: O Desafio Crescente das Chuvas Extremas”, analisou dados do Sistema Integrado de Informação sobre Desastres (S2ID), do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. O estudo aponta que a média anual de desastres na atualidade é duas vezes maior do que na década anterior e 7,3 vezes superior à da década de 1990. Ronaldo Christofoletti, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), enfatiza que o aquecimento global é a principal causa desse aumento.

Além do aquecimento global, o relatório do Projeto Com-ANTAR, da Marinha, indica que o degelo da cobertura de gelo marinho na Antártica e a poluição por fuligem das queimadas no Brasil estão intensificando o ciclo das chuvas. Desde 1991, 4.645 cidades brasileiras enfrentaram eventos extremos relacionados a precipitações, com a proporção de locais afetados subindo de 27% nos anos 1990 para 83% atualmente.

Os meses de verão concentram 44% dos registros de desastres. Em 2023, a tragédia no Rio Grande do Sul impactou 2,4 milhões de pessoas, elevando a média anual de afetados para 6,8 milhões, quase o dobro da média da década anterior. O aumento da frequência e gravidade dos desastres climáticos é alarmante, com cerca de 90% dos afetados sofrendo danos à saúde e bem-estar, incluindo traumas psicológicos.

Os prejuízos econômicos causados por desastres climáticos relacionados a chuvas totalizam R$ 146,7 bilhões desde 1995. Entre 2020 e 2023, as perdas chegaram a R$ 43 bilhões, um valor 40 vezes maior do que os R$ 1,1 bilhão registrados na década de 1990. Com as perdas do desastre no Rio Grande do Sul, estimadas em R$ 88,9 bilhões, os prejuízos nesta década já alcançam cerca de R$ 132 bilhões, o dobro da década anterior.

Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, ressalta a importância de priorizar investimentos em políticas de prevenção e adaptação, como planejamento urbano adequado e sistemas de alerta meteorológico. Em situações como essa, a união da sociedade pode fazer a diferença, ajudando as comunidades afetadas a se reerguerem e a se prepararem para futuros desafios climáticos.

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