Meio Ambiente

Brasil enfrentará chuvas intensas três vezes mais prováveis até 2100, apesar de serem 30% menos frequentes

Estudo da Universidade de Oxford e do Met Office revela que, até 2100, chuvas intensas no Brasil terão três vezes mais probabilidade, mas ocorrerão 30% menos frequentemente, aumentando riscos de desastres naturais.

Atualizado em
July 22, 2025
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Alagamento na região central de São Paulo - Allison Sales - 21.dez.24/Folhapress

Um estudo recente da Universidade de Oxford e do Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido, prevê que, até o ano de 2100, chuvas intensas no Brasil se tornarão três vezes mais prováveis, embora ocorram 30% menos frequentemente. Essa pesquisa utilizou modelos computacionais de alta resolução para analisar as bandas de nuvens, estruturas atmosféricas que desempenham um papel crucial na umidade da região sudeste, especialmente a Zona de Convergência do Atlântico Sul.

O estudo indica que, em um cenário de altas emissões de gases do efeito estufa, a frequência das bandas de nuvens pode diminuir entre 20% e 30% em comparação ao período de 1998 a 2007. No entanto, quando essas bandas se formarem, a probabilidade de que sejam intensas aumentará significativamente, resultando em chuvas muito fortes e extensas. A pesquisadora Marcia Zilli, uma das autoras do estudo, alerta para as consequências graves que isso pode trazer, como enchentes, deslizamentos e secas.

O aquecimento global contribui para uma maior concentração de vapor d'água na atmosfera, devido ao aumento da evaporação. Contudo, a formação de nuvens se torna mais difícil, pois o clima quente requer mais umidade. Quando as nuvens se formam, a quantidade de água que elas podem liberar é muito maior do que em condições mais frias. Zilli compara essa dinâmica a uma esponja que, ao ser espremida, libera uma quantidade maior de água.

As mudanças climáticas afetarão a frequência das bandas de nuvens de forma mais acentuada durante a primavera, especialmente em setembro e outubro, o que pode resultar em ondas de calor e secas. Por outro lado, o aumento da intensidade das chuvas ocorrerá principalmente no pico do verão, em dezembro e janeiro, elevando o risco de desastres naturais. Essa combinação de cenários pode levar a chuvas intensas sobre solos secos, aumentando a erosão e o risco de inundações repentinas.

Marcia Zilli destaca que as mudanças climáticas já observadas seguem o padrão projetado para o futuro, o que reforça a confiabilidade dos modelos utilizados. A pesquisa também se destaca por empregar um modelo de alta definição, com resolução de quatro quilômetros, permitindo uma análise detalhada das mudanças climáticas em áreas específicas, como a região metropolitana de São Paulo.

Diante desse cenário alarmante, é fundamental que a sociedade se mobilize para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Projetos que visem a mitigação dos impactos e a recuperação de áreas afetadas devem ser incentivados. A união da comunidade pode fazer a diferença na vida de muitos que enfrentam as consequências desses eventos extremos.

Folha de São Paulo
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