Meio Ambiente

Brasil investe em restauração da Amazônia e busca reduzir emissões de carbono até 2030

Brasil investe R$ 150 milhões para restaurar florestas e mitigar emissões de carbono, com foco em reflorestamento e recuperação de áreas degradadas até 2030. A meta é restaurar 12 milhões de hectares, essencial para a economia de baixo carbono.

Atualizado em
April 25, 2025
Clock Icon
4
min
Amazônia: meta brasileira é restaurar 12 milhões de hectares de biomas nativos até 2030 (FG Trade/E+/Getty Images)

Em 9 de outubro de 1970, a construção da Transamazônica foi oficialmente iniciada em Altamira, Pará, durante o governo do general Emílio Médici. Essa rodovia, que conecta o Amazonas à Paraíba, teve um impacto profundo na Floresta Amazônica, facilitando o acesso à região e resultando em um aumento significativo do desmatamento. Desde então, cerca de 20% da floresta desapareceu, conforme dados da ONG WWF. A degradação da Amazônia é responsável por trinta por cento das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

Em resposta a essa crise ambiental, o Brasil anunciou em 2023 um plano ambicioso para restaurar doze milhões de hectares até 2030, focando no reflorestamento e na recuperação de áreas degradadas. Em abril, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, revelou um investimento de R$ 150 milhões para restaurar 137 terras indígenas localizadas no “Arco do Desmatamento”, uma área crítica que se estende do leste do Maranhão ao Acre. O projeto será financiado pelo Fundo Amazônia, que recebe doações internacionais.

Além disso, a Caixa Econômica Federal, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, anunciou a liberação de R$ 50 milhões em crédito para a recuperação de áreas degradadas, priorizando famílias que dependem da agricultura sustentável. O governo federal busca resultados concretos para apresentar na 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, que ocorrerá em novembro em Belém.

O compromisso do Brasil de restaurar doze milhões de hectares até 2030 visa sequestrar pelo menos 1,2 gigatonelada de carbono da atmosfera em duas décadas, o que equivale a retirar treze milhões de carros a combustão das ruas nesse período. Para garantir o sucesso do plano, é essencial atrair investimentos do setor privado, conforme destaca Subhra Bhattacharjee, diretora-geral do Conselho de Manejo Florestal.

O custo estimado para cumprir essa meta varia entre R$ 700 milhões e R$ 1,2 bilhão anualmente, dependendo do bioma. Na Amazônia, o custo médio é de R$ 2 mil por hectare. A regeneração natural, uma técnica menos custosa, é lenta e nem sempre eficaz. Alternativas como a regeneração natural assistida e o plantio em área total são consideradas, mas exigem investimentos significativos e acompanhamento técnico.

Recentemente, a B3 realizou o primeiro leilão de concessão privada de florestas desmatadas no Brasil, visando restaurar dez mil hectares na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu. Apesar do potencial, a baixa adesão ao leilão destaca a necessidade de desenvolver modelos de receita sustentáveis após a restauração. A implementação de um mercado regulado de carbono pode ser crucial para impulsionar projetos de restauração e garantir a viabilidade econômica das florestas. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a recuperação ambiental e a preservação dos biomas.

Leia mais

Câmara dos Deputados pode aprovar projeto que flexibiliza licenciamento ambiental e gera polêmica entre ambientalistas
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Câmara dos Deputados pode aprovar projeto que flexibiliza licenciamento ambiental e gera polêmica entre ambientalistas
News Card

O Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido como "PL da Devastação", pode ser aprovado na Câmara dos Deputados, gerando preocupações sobre impactos ambientais e a exclusão da participação social. Fabio Feldmann critica a proposta, afirmando que ela ignora princípios fundamentais de prevenção e avaliação ambiental.

Baleias-jubarte na Antártida: tecnologia e ciência cidadã revelam histórias de gigantes do oceano
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Baleias-jubarte na Antártida: tecnologia e ciência cidadã revelam histórias de gigantes do oceano
News Card

O uso de tecnologia e ciência cidadã tem impulsionado a identificação de baleias-jubarte na Antártida, promovendo sua conservação e engajando o público em sua proteção. A plataforma Happywhale, com mais de 112 mil registros, permite que turistas e pesquisadores contribuam para o monitoramento desses cetáceos, essenciais para a saúde dos oceanos.

Preocupações com preços altos de hospedagem ameaçam participação de países em desenvolvimento na COP30 em Belém
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Preocupações com preços altos de hospedagem ameaçam participação de países em desenvolvimento na COP30 em Belém
News Card

Preocupações com os altos preços de hospedagem para a COP30 em Belém podem excluir países em desenvolvimento. O Brasil se comprometeu a garantir soluções até 11 de agosto, mas a situação permanece crítica.

New Fortress Energy avança na construção de termelétricas em Barcarena com gás importado e fracking em pauta
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
New Fortress Energy avança na construção de termelétricas em Barcarena com gás importado e fracking em pauta
News Card

A New Fortress Energy avança na construção de termelétricas em Barcarena (PA) e enfrenta controvérsias sobre fracking em Mato Grosso, onde o governador vetou uma lei que proibia a técnica. A empresa importou 233 mil toneladas de gás natural em 2024, com foco na Amazônia, enquanto a ANP leiloou áreas para exploração de petróleo e gás, incluindo blocos que podem envolver fracking. O ministro de Minas e Energia defende a exploração local, destacando o potencial econômico, apesar das críticas sobre os riscos ambientais.

Baleia-jubarte é resgatada em Ilhabela após ficar presa em materiais de pesca, mas operação é interrompida
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Baleia-jubarte é resgatada em Ilhabela após ficar presa em materiais de pesca, mas operação é interrompida
News Card

Uma baleia-jubarte foi resgatada pelo Instituto Argonauta em Ilhabela, mas a liberação total não foi possível. A equipe continua monitorando a situação e alerta para os riscos do emalhe.

Baleias-jubarte resgatadas em São Paulo revelam desafios da migração e a importância da conservação marinha
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Baleias-jubarte resgatadas em São Paulo revelam desafios da migração e a importância da conservação marinha
News Card

Duas baleias-jubarte foram resgatadas no litoral norte de São Paulo, totalizando o mesmo número de resgates da temporada anterior. O Instituto Argonauta destaca a importância de ações integradas para proteger esses animais.