Meio Ambiente

Brasil propõe fundo global de US$ 1,3 trilhão para clima, mas enfrenta crise no setor elétrico nacional

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, propôs um fundo global de US$ 1,3 trilhão para o combate às mudanças climáticas, mas enfrenta críticas pela falta de execução no setor elétrico brasileiro. A ausência de um novo marco regulatório e o cancelamento de projetos de energia limpa refletem a ineficiência governamental, frustrando investidores e comprometendo a competitividade do país.

Atualizado em
June 30, 2025
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Placa de energia solar do projeto Ilumina Pantanal, na comunidade da Barra do São Lourenço, em Corumbá (MS) - Rafaela Araújo - 13.jun.25/Folhapress

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, propôs um fundo global de US$ 1,3 trilhão para enfrentar as mudanças climáticas durante um encontro com o presidente da França, Emmanuel Macron. Contudo, essa iniciativa enfrenta críticas devido à ineficiência na execução de projetos de energia limpa no Brasil. O país ainda cancela projetos contratados e não avança na modernização de seu setor elétrico, que está em colapso iminente.

A proposta de Lula, embora válida, é questionada por sua falta de respaldo interno. O Brasil não pode solicitar apoio financeiro internacional se não demonstra comprometimento com a execução de suas próprias políticas energéticas. A atual crise no setor é evidenciada pelo cancelamento de usinas solares no Nordeste e perdas significativas em projetos renováveis, resultado da inação do Ministério de Minas e Energia em implementar um novo marco legal.

O Brasil se encontra em uma transição necessária de um modelo de geração centralizada para um sistema descentralizado e renovável. Entretanto, as regras ainda são baseadas em um passado analógico, o que impede o avanço. A falta de um arcabouço regulatório moderno reflete a ineficácia da liderança atual, que não apresentou propostas concretas após quase três anos de gestão.

Enquanto países desenvolvidos implementam legislações que incentivam a inovação e a digitalização das redes elétricas, o Brasil enfrenta uma burocracia que desestimula investimentos. Isso resulta em frustração entre investidores, adiamentos de leilões de transmissão e o arquivamento de projetos de geração limpa. Além disso, muitas comunidades ainda carecem de acesso à energia devido à falta de conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Em 2023, mais de 11 gigawatts (GW) em projetos de energia renovável tiveram suas outorgas revogadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um número alarmante. A maioria desses projetos estava prevista para o Nordeste, que possui grande potencial solar e eólico, mas enfrenta desafios de infraestrutura e um ambiente regulatório instável.

É fundamental que o Brasil revise seu modelo institucional e aprove um novo marco legal para garantir segurança jurídica aos investidores na transição energética. A agenda climática exige não apenas ambição, mas também coerência nas ações. A mobilização da sociedade civil pode ser crucial para apoiar iniciativas que promovam a energia renovável e a sustentabilidade, contribuindo para um futuro mais responsável e conectado.

Folha de São Paulo
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